Opinião
Um busto pro pinto
Ops! Perdão! Leia-se: ?Um busto pro Pinto?. Assim, com o P, de pinto, maiúsculo. Corrigi a tempo. Dificuldades com a gramática, à parte, refiro-me àquele cearense que nos veio devolver a fé e a coragem no homem. Não só no homem público. Digo em qualquer homem. Inclusive nas mulheres também. Óbvio. Falo do ser humano. Sim, o busto seria pra ele. Era o mínimo que os alagoanos poderiam fazer. Um belo busto, ao lado de um do deodorense Tavares Bastos, bem à frente daquela Casa Legislativa que tem o nome deste último, aqui mesmo na capital das Alagoas. Ôxe! Pode não é? Mas tem tanta gente viva dando nome a órgão público neste Estado. Afinal, seria uma maneira de demonstrar-lhe o reconhecimento e a gratidão da gente de bem desta terra ? que é a imensa maioria, fazendo o favor! ? pelo excelente e corajoso trabalho por aqui realizado. Ao mesmo tempo ficaria registrado, publicamente e para a posteridade, para que jamais o esqueçamos e as suas profiláticas e assépticas ações. O salvador ? o Pinto ?, ao lado do seu protegido (e por ele salvo) ? o Bastos. O cabra tem nos dado uma lição, alagoanos. E, principalmente, às nossas autoridades ? naturalmente àquelas omissas, ou acovardadas, ou comprometidas com o que ele combate, ou tudo junto. Uma bela e impagável lição. Afinal, quando poderíamos imaginar que alguém pudesse realizar a operação policial que promoveu no âmbito da Assembléia Legislativa de nosso Estado? Quando poderíamos supor que ouviríamos aquelas impressionantes (para dizer o mínimo; mínimo, mesmo!) gravações telefônicas, com seus nauseantes, chocantes e revoltantes, mas esclarecedores diálogos? É como se levássemos um soco e, então, passássemos, só aí, a enxergar o tamanho do ?reino? daquelas plagas e também a nossa própria omissão enquanto cidadãos. Excessos podem ter sido cometidos. Equívocos, idem. Discute-se se as algemas eram mesmo necessárias. Pode ser, num ou noutro caso. Mas só não compreendo é essa tardia grita contra aqueles antiqüíssimos e mundialmente utilizadíssimos artefatos policiais. Que estranho... Claro, também, que ninguém foi julgado até agora. Mas aquelas gravações... Ah! Aquelas gravações!... Tão nítidas, tão longas, tão esclarecedoras..., tão bem-vindas! E aí, outra incompreensão minha: por que já estão querendo restringir o uso do grampo telefônico autorizado judicialmente? Ôxe!? Que coisa!? Por que será? Ôme! Um busto pro José Pinto de Luna! Rápido! Antes que ele se vá. (*) É advogado (www.blogdoandrefalcao.com; [email protected]).