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Ser m�dico nos tempos modernos

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Mais um Dia do Médico vemos passar. Infelizmente cheio de conflitos, de greves, de lutas por salários mais dignos. O dia 18 de outubro é também dedicado a São Lucas, o padroeiro dos médicos. Isso porque esse Santo que também era um grande pintor, exerceu a medicina com muita dedicação 46 anos depois da morte de Cristo. Pasteur, o grande cientista francês, nos deixou uma mensagem: ?Não escolhemos na vida o nosso próprio destino, o nosso único dever é desempenhá-lo bem?. Realmente, o dever não é um sentimento, mas um princípio que se oculta dentro de nós mesmos como conduta de nossos atos. Ah! Como era diferente a medicina do passado em relação à de hoje! No passado o médico era o confidente, o amigo, o conselheiro do doente e de toda a família. Havia a figura do indigente representada pelos desabonados da sorte que, apesar de sua pobreza, tinham um atendimento primoroso em todas as Santas Casas de Misericórdia do Brasil. Guardo na lembrança, eu doutorando de medicina (1962), o dialogo do prof. Ib Gatto com o prof. Rodrigo Ramalho para ver quem dos dois tinha mais operado indigentes durante o ano. Hoje quem depende do SUS vive uma constante tragédia. Francisco de Castro, o grande clínico brasileiro, orador primoroso, afirmava com razão que, em torno do médico, se forma muitas vezes uma atmosfera de culto, porque de seus lábios se derrama sobre a tristeza das almas a doçura das consolações supremas. Que o médico em qualquer idade, penetre pois o fundo das almas, e dê sempre aos que sofrem a transfusão da sua amizade, ao lado da técnica e de sua arte. E o médico de hoje, principalmente o jovem médico recém-formado, salvo raríssimas exceções, perde-se em meio à luta pela vida, girando atordoado entre pacientes, hospitais, plantões em clínicas particulares, consultório, reuniões científicas, restringindo freqüentemente sua vida pessoal e familiar. Mas, apesar de tudo, dos vencimentos públicos minguados e das tabelas ridículas dos planos de saúde e do SUS, determinando uma não realização profissional a contento, o médico ainda detém em suas mãos um dos mais importantes, se não o maior de todos os desígnios, que é a sua capacidade de curar. Ninguém pode ainda negar ser o médico o guardião da vida, o defensor do homem contra as agressões a que está sujeito. Miguel Couto, o grande clínico brasileiro, costumava dizer: ?O diploma confere um título, mas, não faz o médico?. É preciso ter vocação para ser feliz na medicina. (*) É médico ([email protected]).

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