Opinião
Quando o calo nos d�i
Cada um sente a dor, quando o calo lhe aperta. Dificilmente imaginamos chegar a necessitar de determinadas facilidades para nos locomovermos. Mas, quando o calo dói! Foi o nosso caso. Pensamos sair a passeio, com pessoa da família, em torno do quarteirão em que moramos. Sua enfermidade levou-o a uma cadeira de rodas e foi com tal meio que intentamos a aventura. Sim, aventura, pois não se pode trafegar, mesmo sem nenhuma carência física, pela maioria de nossas calçadas, ainda mais se for sobre rodas. Talvez se salve a orla marítima, embora na atual reforma não estejam implantando ladrilhos indicadores para deficientes visuais, que têm que sair adivinhando postes, degraus, orelhões, receptores de lixo e mais o que se queira colocar em seus caminhos. A nossa arriscada proeza teve que ser feita, e somente uma vez, pela faixa de rolamento dos automóveis, causando sobressaltos a quem dela participou. Todos esses empecilhos vêm da nossa falta de sentimento humanitário e de educação cívica quando, todos os dias, nos deparamos com atitudes não condizentes com um povo que se diz civilizado. Filas que deveriam ser usadas por idosos, gestantes, deficientes, são disputadas por outros que não estes. Vagas em estacionamentos, reservadas para quem sofre de necessidades as mais diversas, próximas das entradas dos estabelecimentos, por isso mesmo, são constantemente ocupadas com automóveis de quaisquer pessoas, simplesmente por comodismo. Mas se, o calo lhes doer, um dia... Um exemplo que nos constrange é quando vemos chegar a nossa Câmara Municipal duas jovens cidadãs, cadeirantes, eleitas neste último pleito, indignadas por serem impedidas de exercer seus mandatos, com a impossibilidade de acesso ao trabalho. Será que naquela casa, só agora, os senhores vereadores viram esse empecimento, não só às colegas novatas, mas a qualquer um outro que quisesse assistir as suas sessões? E, pasmem. Não faz muito tempo, passou por aquele poder um cidadão, com deficiência física, que muito lutou por estas desigualdades de tratamento. Mesmo em apenas dois anos, conseguiu muitos benefícios para aqueles que representava, mas, no tocante ao problema hoje enfrentado pelas duas edis, não logrou êxito, talvez, por sua deficiência não o ter impedido de adentrar aquele recinto. Quem sabe, o calo não lhe tenha doído. (*) É bacharel em economia.