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Opinião

Crise na nossa porta

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Confirmando o aqui escrito quando do início da atual crise global, a onda de problemas financeiros internacionais não teria como não bater às nossas praias. Pode ser como uma marola ou como algo maior, mas ninguém ficará de fora deste torvelinho. Também é verdade que o Brasil de hoje está com bases mais sólidas, com uma economia mais estável e com condições adequadas para fazer frente à intempérie ? mas isso não pode ser entendido como invulnerabilidade. As medidas anunciadas ontem pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central devem provocar uma boa polêmica. Bom que assim seja, pois ampliar-se-ão as chances de serem corrigidos eventuais equívocos. E, sem alimentar falsas expectativas, é bom se ter consciência da inexistência, na atual conjuntura global e nacional, de soluções mágicas. O mais importante é atuar sem precipitações e buscar se antecipar a, pelo menos, às perspectivas mais evidentes. Mas não há como não se molhar nesta onda; se nela não temos condições de surfar, pelo menos devemos nos preparar para ela não nos tragar. Alguns segmentos serão mais afetados que outros. Quem mais estiver vinculado aos mercados estrangeiros vai sofrer mais. Este é o caso de Alagoas, cujo núcleo principal de negócios (centrados na produção sucroalcooleira) está historicamente apoiado no além-mar. Dificuldades nas operações de exportação são inevitáveis (os caminhos naturais para créditos tem a se obstruir). O que fazer em tal cenário? Temos que construir saídas de emergência, dando a esta realidade econômica a devida atenção política. Estabelecer novos procedimentos, apropriados para a realidade, abrir mais portas de negociação entre o público e o privado, entre o governo estadual e o governo federal ? erguer, enfim, o mais eficiente possível dique de proteção para Alagoas.

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