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Acus et linea

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Em junho de 1979, a extinta Scientia ad Sapientiam, revista da Ufal criada dois anos antes, faria publicar mais de uma dezena de produções científicas, entre artigos e ensaios. À guisa de homenagem nomeio os autores daquela edição histórica. A aludida Scientia abria com um artigo de Carmen L. Dantas, sob o título Museu Théo Brandão. A seguir, o próprio Théo Brandão soltaria sua verve em Museu Sopa de Pedras. Suceder-se-iam os trabalhos de Edson Alcântara, de S. de Macedo, Padre Pedro Teixeira, G. de Macedo e de Mário Porongaba. Abordando plurais universos, a lista de autores incluiria ainda artigos assinados por Ernesto Hiesbrecht, Moita, M. et alii, E. F. Sarmento, Aroldo Mello e outros, Abynadá Liro e Ronald Mendonça, Hélvio Auto, encerrando triunfalmente com Aloísio Galvão e sua inspirada versão para o latim, Acus et linea (A agulha e a linha ou Apólogo), célebre fábula/crônica de Machado de Assis, título dos presentes comentários. Abro parêntese para repetir, en passant, que a revista, lamentavelmente, já não mais existe. Assim, não é exagero semântico chamar de histórica qualquer uma de suas edições. Mas aquele seria um ano especial para o mundo literário. É que se comemorava o 140º aniversário de nascimento de Machado de Assis e nada melhor que uma cuidadosa tradução para o latim para brindar a efeméride. O Apólogo (A agulha e a linha) de Machado é uma saborosa disputa entre a agulha e a linha para saber quem é a mais importante, a mais poderosa. A partir de tema dos mais prosaicos, num imaginário diálogo, o narcisismo das personagens e a fina ironia do conteúdo dão o tom da genialidade machadiana. É aí que entra a veia do consagrado latinista, que, a seu modo, prestou original homenagem, desafio de verter não só palavras e frases, mas o sentimento que a prosa encerra. Mestre Aloísio Galvão recorda que sua iniciativa foi recebida com críticas em isolados setores da academia. Um dos mais contundentes, líder estudantil na época, esquerdista de rasas águas, teria protestado contra a ?perda de tempo e de espaço?, ?de tinta e papel?. Para o futuro e influente parlamentar, publicar trabalho em latim, seria o retrato fiel da visão ?pequeno-burguesa-decadente? da sociedade em geral e da universidade em particular. No fim, o consolo do insuperável epílogo da fábula, em latim e em português: ?Ego quoque, plurimus linei mediocris animi, acui fui?; ?Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária?. (*) É médico e professor da Ufal.

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