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Opinião

Enfrentando e superando discrimina��es

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Estávamos participando do Congresso Brasileiro de Radioterapia quando eclodiu o seqüestro de Santo André onde a vítima fatal, a adolescente Eloá, era alagoana. Meu filho Marcel Davi, que está cursando o 3º ano da residência médica do hospital A.C. Camargo em São Paulo foi abordado por outros colegas do sul do País desta forma: ?Finalmente a sua terra não vai aparecer na mídia como vilã e sim como vítima!?. Infelizmente, o desfecho foi o pior possível, principalmente para a jovem seqüestrada, mas também em relação ao seu genitor que não se sabia bem porque, se por pura fragilidade pessoal, ou outro motivo, não dava o mínimo apoio a sua indigitada filha. O motivo, torpe, com se ficou sabendo depois era o envolvimento do cidadão com a gangue fardada que atemorizou Alagoas durante muito tempo. No congresso, que contou com grandes luminares nacionais e internacionais da cancerologia, os temas mais destacados foram os cânceres de mama e de próstata, os que mais incidem na mulher e no homem em todo o mundo. Coincidentemente, o câncer de próstata foi o principal assunto e capa da revista Veja desta semana. Se o câncer de próstata é considerado pela medicina o principal inimigo do homem moderno, constatamos no Congresso que estamos fazendo exatamente o que se faz nos grandes centros nacionais e internacionais e assim podemos e temos tido resultados semelhantes nos tratamentos aqui realizados e isto nos nivela por cima. É motivo também de alto nivelamento humanitário a realização da Operação Sorriso na Santa Casa de Maceió. Crianças alagoanas dilaceradas pelo lábio leporino, vítimas de vários tipos de discriminação, puderam finalmente concretizar o seu sonho e o de seus pais e realizaram as suas cirurgias corretivas gratuitas. A Santa Casa continua a sua trajetória histórica de prestação de serviços sem discriminações a toda comunidade alagoana. Ao fim do Congresso, lamentavelmente, entre os presentes sentia-se a discriminação contra nossa terra: os maus antecedentes do pai de Eloá não permitiram o florescer de maiores solidariedades e simpatias para Alagoas. Mas, ali também mostramos que temos valor, somos lutadores e em condições semelhantes até superamos concorrentes sulistas: Marcel Davi foi o residente que mais apresentou temas livres e pôsters no congresso e ainda tem a maior produção científica entre todos os residentes do A.C. Camargo, maior centro de pesquisas em câncer da América Latina. (*) É médico e professor da Uncisal.

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