Opinião
No esp�rito de Paulo: na minha carne, as marcas de Cristo
Coloquemo-nos diante da cruz, da nossa cruz de cada dia, do sofrimento que nos acompanha cada dia de nossa lida quotidiana. A cruz dos nossos trabalhos, as incompreensões de nossa missão, o sentimento de inutilidade que muitas vezes se abate sobre nós, a cruz de não ver mais horizonte em nossa vida, etc. Percebemos, às vezes, que tornamos a cruz mais pesada para nós do que na realidade ela é. Não esqueçamos que ela pode ser a cruz redentora, a partir do momento que nos preparamos para acolhê-la e aceitá-la, levantando-nos cada vez que desfalecemos sob o seu peso. Sintamo-nos solidários no caminho da cruz e busquemos no nosso irmão de ministério o cirineu que alivia o nosso peso, sejamos o ombro amigo para compartilhar na caridade o fardo pesado do nosso companheiro de missão. Provoquemos um pouco a nossa imaginação, fazendo uma cascata de perguntas, bem ao estilo dos escritos de Paulo: como estamos buscando a inspiração para nossa vida no exemplo e no modelo que é o próprio Jesus? Como sentimos nossa participação no compromisso e no destino de Jesus? Quais os traços que percebemos a presença da cruz de Cristo em nós, e no cotidiano de nossas vidas? Que atitudes pessoais e comunitárias temos assumido que revelam o nosso empenho para permitir que Cristo viva em nós? Qual é a mística que alimenta dar consistência ao nosso modo de viver? Temos feito as rupturas necessárias a fim de mantermos a integridade de nossa identidade de seguidores de Cristo, batizados e discípulos? Olhemos para Jesus, sua vida e sua atitude fundamental como Filho bem amado. Contemplemos a cruz do Senhor. Olhemos para nossa existência e questionemos sobre a atitude que perfaz o fio condutor de nossa vida, de nossas escolhas. Renovemos corajosamente nosso compromisso de seguimento de Cristo, sem medo de abraçar a cruz como realidade que se ergue no centro de nossa fé e no coração de nossa vida escondida em Deus, oferecendo-nos a possibilidade de esperança e de vida. Vivemos na esperança e nela fomos redimidos pelo poder da cruz redentora de Cristo, mediante a fé. Aí alcançamos o centro mesmo do pensamento do Apóstolo Paulo. ?Que o Deus da esperança vos cumule de toda a alegria e paz em vossa fé, a fim de que pela ação do Espírito Santo a vossa esperança transborde? (Rm. 15, 13). (*) É arcebispo Metropolitano de Maceió.