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Opinião

A revolu��o da ternura em um mundo sem amor

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Todos sabemos da grandeza incomensurável do Cosmos; entretanto, nenhuma grandeza é maior que a grandeza intensa do amor e da ternura. A teologia da ternura supõe, de fato, a prática da ternura e coloca em crise um modo de ser cristão superficial, medíocre e sem elan. Chega-se assim à verdade de que sem o evangelho da ternura não se cumpre, plenamente, o mandato do amor e se chega à tentação de os fiéis se tornarem uma Igreja do domínio e da exclusividade. Não podemos deixar de fazer a experiência da ternura, abrindo-nos aos inefáveis horizontes da ternura absoluta. Infelizmente, na sua obra Heinrich Böll acusava, no princípio do século XX, os cristãos de estarem desprovidos, especificamente, de ternura. A respeito disso, é curiosa a declaração de Clemente de Alexandria, quando afirma que ?pela sua misteriosa divindade, Deus é Pai. Mas a ternura, que tem para conosco, transforma-o em Mãe. Amando-nos, torna-se o pai feminino...?. Em um mundo sem amor não é fácil aceitar-se a ternura porque ela se embrenha no terreno da ?afetação? ? que para o mundo desamorizado se torna languidez que o poeta russo Vladimir Majakovskij reduzia à ironia naqueles versos: ?Se queres serei irrepreensivelmente, terno, não um homem, mas uma nuvem com calças?. Entretanto, a ternura é algo bem diferente e é, principalmente, como dizia François Mauriac: ?Uma semente de amor?. Não é fácil falar de ternura. Corre-se pelo menos dois riscos: um ? o de ser mal compreendido por aqueles que confundem o ?sentimento da ternura? com o ?sentimentalismo?, com a ?afetação?, e de ser acusado de fazer romantismo de pouco valor. Os dicionários definem a ternura como um sentimento de ?suave comoção?, de ?afeto doce e delicado?, de ?atenção carinhosa?; ao contrário qualificam a ?afetação?, como uma ?atividade dengosa?, ?um excesso de sentimentalismo?, de ?fingimento?. A diferença salta aos olhos. O outro risco é o de ser olhado com suspeita, como um sinal de imaturidade, confundindo a ternura com a fraqueza. Ao contrário, ternura é força, sinal de maturidade e vigor interior que desabrocha somente em um coração livre, capaz de ofertar e de receber amor. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e membro da Academia Alagoana de Letras.

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