Opinião
Crimes cotidianos
Enquanto a sociedade alagoana vive a expectativa gerada pelo retorno à mídia de personagens e crimes chocantes quase esquecidos, a violência teima em não ficar restrita às lembranças. O acontecimento trágico de ontem, no Sindicato dos Empregados dos Postos de Combustíveis, causou mais um sentido choque contra a cidadania alagoana, em função de especialmente uma das vítimas ser personalidade pública, advogado e ativista sindical com muitos anos de experiência e amplo conhecimento pessoal em todos os segmentos sociais alagoanos. O incidente, conforme noticiado, além dos ferimentos no sindicalista, ceifou brutalmente a vida de um de seus filhos. Muitas interrogações permeiam o caso, alimentando suposições de que os meliantes poderiam estar com a intenção deliberada de matar, enquanto as hipóteses mais recorrentes apontam para uma tentativa de assalto seguida de morte. Em todas as hipóteses, é chocante a fragilidade dos cidadãos frente ao crime. O nível de organização dos criminosos, neste momento, passa a ser objeto de menor relevância, pois a brutalidade da ação demonstra um grau de periculosidade que assusta a todos. Assustam-se mais quem teve ou tem algum contato com as vítimas, pessoas sem antecedentes violentos. Numa situação como esta, todos sentem-se vítimas, todos sentem na pele a vulnerabilidade vivida. E quantas mais pessoas não têm sido assassinadas, por motivos fúteis, ou por crime de mando, em nosso Estado? Infelizmente, quando a vítima pertence a um círculo de relacionamento mais restrito, poucos sentem-se vítimas. É essencial prestar atenção ao noticiário policial, pois ocorrências desse tipo, desgraçadamente, povoam as reportagens cotidianas. Somos cada dia mais vítimas do crime (organizado ou desorganizado) e isto tem de mudar.