Opinião
A educa��o no Brasil e os professores
A partir da universalização do acesso ao Ensino Fundamental, por volta de 1996, um intenso debate começou a ser travado sobre a qualidade da Educação recebida pelas crianças e jovens no Brasil. Dado o atraso que tivemos na oferta de vagas para as crianças, a aceleração da entrada da população excluída nos últimos anos colocou forte pressão sobre o número de escolas, as condições físicas das instalações e, sobretudo, sobre a quantidade e o preparo dos professores. A introdução de uma cultura de avaliação, a partir da relevante experiência de Alagoas e do fortalecimento do INEP ? Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacional, em meados dos anos 1990, trouxe à tona a triste realidade do ensino brasileiro: as crianças e jovens estavam agora na escola, mas o aprendizado deixava (e ainda deixa) a desejar. 60% dos jovens de 8ª série não conhecem porcentagens e 65% das crianças de 4ª não sabem as quatro operações, revelou a Prova Brasil de 2005. O susto foi grande e decisivo para mobilizar a sociedade para mudar este quadro de descalabro. Desde então, alguns governos passaram a acompanhar a situação do aprendizado em suas redes, proporcionando aos pais, professores e diretores de escola um instrumento poderoso para responsabilização social e para a revisão das práticas de ensino adotadas. Desta mobilização nasceu o compromisso Todos pela Educação, movimento que congrega empresários, organizações não governamentais, especialistas em educação e em políticas públicas e dirigentes públicos da área para garantir Educação Básica de qualidade para todos os brasileiros até 2022. A atuação do compromisso inclui o monitoramento da qualidade da Educação recebida pelas crianças e jovens no Brasil, a partir de cinco metas a serem atingidas até lá, entre as quais estão: toda a criança e jovem de 4 a 17 anos na escola; toda a criança plenamente alfabetizada até os 8 anos; e todo aluno com aprendizado adequado a sua série. Essas metas foram incorporadas pelo MEC em documentos de planejamento e o fizeram estabelecer um indicador de qualidade da Educação (IDEB) ? o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica ? que procura reunir e expressar dados referentes ao desempenho de uma escola ou rede em provas nacionais, com os de aprovação, reprovação e abandono, medidos pelo censo escolar. Mas a situação começa a mudar. Há hoje mobilização e indignação da sociedade (e não apenas dos educadores) com a aprendizagem nas escolas. A avaliação já está consolidada e permite um planejamento educacional mais sério. Um piso salarial nacional para os professores foi estabelecido. Cumpre agora fortalecer a formação e a seleção dos professores e valorizá-los para assegurar uma Educação de qualidade no País. (*) É vice-presidente da Fundação Victor Civita. Foi secretária de Cultura do Estado de São Paulo e ministra da Administração Federal e Reforma de Estado (gestão FHC).