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Opinião

Eleitos e indicados

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Em plena ditadura, já em fogo brando, sindicatos classistas e agremiações corporativistas conquistaram a duras penas a permissão de eleger chefias de repartições ? terceiro e quarto escalões ? através de voto. Foi uma coisa interessante, porque de repente alguns setores do serviço público foram dominados por figuras que contestavam (até) com veemência o regime de força vigente. Curiosamente, não obstante a adversidade, não me lembro de ocorrências mais chocantes. Ao contrário, muitas daquelas chefias moldavam-se ao status quo, encaixando-se como uma luva no espírito do dominador. Esconjurado o fantasma da contestação gratuita, ficaria mais ou menos combinado que escolas públicas, postos médicos e outros que tais seriam dirigidos por gente escolhida pelo voto direto dos funcionários ? e de alunos, conforme o caso. Essa prática ganharia estatuto que perdura até hoje; na escolha de reitores, por exemplo. Embora a palavra final caiba ao governador ou presidente da República, é usual que a decisão das urnas seja respeitada. A experiência tem demonstrado que o mandato através do referendo da maioria, está muito longe de ser um passaporte para a competência. Simpatias ou ranços pessoais, alianças políticas, ?igrejinhas?, ?curriolas?, continuísmos, muitas vezes dão o tom da escolha. De outra parte, indicações à ?moda antiga? podem ser tão consagradoras que marcam a vida da instituição. A própria Ufal nos seus primórdios, a despeito da ortodoxia do método da seleção, foi contemplada com administrações vitoriosas. A propósito, nesta semana, a imprensa local destacou polêmica entre o vice-governador José Wanderley e os gestores dos hospitais da Uncisal. Dentre outras medidas, Wanderley criou celeuma ao insinuar nomear os próximos diretores dessas unidades. Injuriados com o público puxão de orelhas, os gerentes foram à luta. Rebatendo as críticas com denúncias oportunas, expuseram ainda mais as entranhas de um falido sistema de saúde. Em suas defesas, levantaram a lebre da escolha por voto, como símbolo de boa aferição. Ainda no quesito sucessão/nomeação, o noticiário insiste na aposentadoria de Guilherme Palmeira como ministro do Tribunal de Contas da União. Façamos justiça: Guilherme Palmeira pendura as chuteiras bem ao seu estilo: discreto, eficiente e conciliador. Vaga supostamente ?alagoana?, nas cavernas da política a briga agora é pela sucessão de Guilherme. Sairá da Assembléia ou do Tribunal de Contas? (*) É médico e professor da Ufal.

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