Opinião
A prop�sito da Semana do M�dico
Há mais ou menos três semanas, fui entrevistado numa rádio local sobre a Semana do Médico. Discutiu-se sua significação como comemoração para os médicos, apesar dos problemas que atingem a nossa categoria, refletidos na má remuneração e nos descompassos das políticas públicas de saúde. Relatei que seria realizada uma noite cultural e artística ? programada pelo Cremal, com o apoio das entidades médicas do Estado ? totalmente conduzida por médicos, que tocam instrumentos, cantam, recitam e lêem textos literários. O fato interessou ao locutor da emissora que fez minuciosas perguntas: ?O médico tem tempo para se dedicar às artes, à literatura, às crônicas jornalísticas, poesias e aos contos? Afinal, o que é a Sobrames??. Na posse de uma Academia de Letras, convidaram o presidente da Sobrames para participar da mesa diretora. Como presidente da entidade, sentei-me bem próximo ao governador do Estado e ele, de imediato, me perguntou: Medeiros, o que é Sobrames? Como ele fez essa pergunta ao microfone, todo o público ouviu. Respondi, imediatamente: é a sigla de Sociedade Brasileira de Médicos Escritores. Todo mundo riu, pela singularidade do fato, numa cerimônia solene de público enfatiotado. Causa admiração que haja tantos médicos escritores que conheçam a anatomia, estrutura e histologia das palavras, a textura dos parágrafos, as patologias e enfermidades que degradam textos da língua portuguesa. Repeti o conselho que o professor Carlos Lacaz (USP) deu aos profissionais médicos, num momento de formatura: ?É necessário que os médicos, além de profissionais, dediquem-se, também, à temática do pensamento do homem, mantendo-se atentos às vibrações de sua época. A verdadeira medicina exige cultura e erudição?. Como o debate radiofônico despertou interesse, lembrei que os três primeiros romances da história da literatura brasileira foram escritos por médicos. O primeiro, A moreninha, escrito pelo médico Joaquim Manoel de Macedo, em 1844; o segundo, denominado Divina pastora, publicado em 1847; o terceiro, Memórias de um sargento de milícias, de autoria do médico Manoel Antônio de Almeida, é lido nas escolas e aproveitado como texto nos exames de vestibulares. Nessa reunião artístico-cultural a que me referi, a Sobrames homenageou toda a classe médica, através dos presidentes: do Conselho Regional de Medicina, Sindicato dos Médicos de Alagoas, da Academia Alagoana de Medicina e da Sociedade de Medicina de Alagoas. Felicitou, também, o presidente do Sindicato dos Hospitais e provedor da Santa Casa de Misericórdia, ressaltando a unidade dessas instituições em torno dos objetivos específicos da categoria médica. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.