Opinião
Cor de esperan�a
Pode render uma eternidade o debate acerca da tez de Obama Hussein Barack, girando em torno da palavra que melhor definiria, de forma politicamente correta, sua epiderme: mulato, marrom, negro, preto, escurinho... Mas essa polêmica cromática, preservada sua importância real num mundo onde o racismo existe de verdade (e muito além dos Estados Unidos), é muito menos estratégica para o mundo que algumas questões políticas essenciais a serem definidas pelo presidente eleito dos Estados Unidos desde antes de sua confirmação pelo Colégio Eleitoral e conseqüente posse. Uma destas questões cruciais já está bem focada pela mídia globalizada: qual será a orientação de Obama para o enfrentamento da atual crise financeira internacional cujo epicentro é o próprio mercado financeiro americano? Uma segunda questão candente, a das guerras de invasão mantidas pelas forças armadas americanas, divide-se em duas realidades distintas, ambas explosivas: Iraque e Afeganistão. E a lista dos mais perigosos itens inclui com destaque a eternamente sangrenta relação entre israelenses e palestinos. E prossegue com Irã, Coréia do Norte, Venezuela, Cuba ? isso sem falar no fantasma da Guerra Fria (com a Rússia) que volta a assombrar o mundo. E o aquecimento global? Obama conseguirá imprimir um papel diferenciado para seu governo em relação ao Tratado de Kyoto? E para a América Latina, o secular primo pobre, terá alguma política verdadeiramente nova o novo governo ianque? Como se pode ver, o mundo é muito mais que uma imagem estática em preto & branco; vivemos uma agitada policromia de contradições, crises, indefinições, perigos. Para esta realidade multifacetária é que deve ser cobrada a promessa de mudança desfraldada pelo presidente recém-eleito da maior superpotência contemporânea, independente de sua cor.