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Opinião

A crise globalizada

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?Ninguém é uma Ilha?, de Thomas Merton, foi-me leitura de adolescência. Malgrado o sentido religioso do texto, a reflexão, por filosofia, é muito próxima do Direito, pois, sugere o homem no contexto social, quando regras e formas são imprescindíveis ao convívio pacífico das diversidades microcósmicas. A política universal, em similitude ao pensamento do monge trapista, resultou modernamente no mundo globalizado: Estados e nações não são mais ilhas, o que implica, senão em solidariedade, mas em repercussões comungais do que de bom ou de mau ocorra. A atual crise que atormenta os Estados Unidos, ainda que se fechem os olhos à obviedade, espraiou-se pelo mundo afora. Fato é que, a despeito do desenvolvimento que os países experimentem como resultado do intercâmbio de conhecimento entre as nações, é também verdadeiro que as crises de uma, principalmente quando essa é paradigma econômico das outras, trazem reflexos globais, a todas atormentando. A América quebra, sofrem os demais países desenvolvidos, atemorizam-se aqueles que, como o Brasil, avizinham-se do reconhecimento como economia confiável e em franca evolução. É esse o custo da globalização. Pontes de Miranda, em um de seus aforismos (Obras Literárias), diz-nos sermos ?as fadas do nosso destino. Um sonho (nosso) em que há centelha nova é crisálida misteriosa da realidade que há de vir?. E é fato! Sonhamos, como é natural, um país ao nível dos demais desenvolvidos. É um direito nosso. Mas, para sentirmos o perfume das rosas, teremos de sofrer com os seus espinhos. Em obra pouco referida (Democracia, Liberdade e Igualdade), o mesmo Pontes de Miranda fez lembrar que em ?épocas tranqüilas, a vida transcorre apenas entremeada de acidentes individuais. Desde a economia, à literatura, são as existências das pessoas o que mais conta. Nas épocas (...) sacolejadas pela inquietude e pelas crises, as pessoas valem pouco?. Essa pouca valia será porque a solução estará no buscar e encontrar soluções para as crises e não na arrogância retórica, na bazófia do ?estamos imunes?, esquecidos da globalização que procuramos, construímos e que agora nos cobram. Importa voltarmo-nos para a economia, podar excessos, ?apertar os cintos?, mesmo que para isso devamos sacrificar as ações populistas, tão ao gosto dos políticos. Que a crise americana nos atingiu é induvidoso e dispensa sofismas. Que os mandatários esqueçam por um tempo a política clientelista e invistam nas soluções pragmáticas. (*) É advogado militante.

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