Opinião
Entre falar e fazer
Promete frutos, talvez pouco saborosos, a discussão sobre o cassa-não-cassa de mandatos na Assembléia Legislativa. Simples e dramático, o dilema da cassação de mandato de qualquer um dos envolvidos na Operação Taturana envolve a linha demarcatória entre a teoria e a prática; entre o teatro e a vida real. E aí, tudo promete complicar no âmago da Casa Tavares Bastos. A primeira das questões levantadas pelos debates destes dias é que ninguém está falando (muito menos fazendo) alguma coisa sobre a Comissão de Ética daquela casa, que ? segundo consta ? continua sendo a única Assembléia Legislativa brasileira onde inexiste tal órgão, essencial para processos internos, como os de cassação. A segunda questão é que não há sentido em propor a perda do mandato de um único parlamentar quando mais de uma dezena estão indiciados pelo mesmo motivo (constantes no volumoso inquérito policial da Operação Taturana). Como se sabe, a lista alcança inclusive ex-parlamentares, esses naturalmente fora da ação punitiva do Legislativo. Infelizmente, o tom e o conteúdo dos pronunciamentos dos parlamentares estaduais sobre esta questão só tem feito aumentar o descrédito e a desmoralização coletiva da Assembléia Legislativa de Alagoas. Infelizmente, oposição e situação parecem falar a mesma linguagem, que, trocada em miúdos, aponta para a inação e a impunidade. Lamentavelmente, as vozes mais tonitruantes da casa desafinam na hora ?h? e esgrimam desculpas esfarrapadas. Como dizem os filósofos, cada crise é uma oportunidade de crescimento. E o Legislativo alagoano continua tendo a chance de dar um exemplo de ética, sem perseguições pessoais, sem apadrinhamentos, com firmeza, coragem e estrito cumprimento da Lei. Mas, para isso, precisa cruzar o Rubicão que separa os territórios do falar e do fazer. E fazer o certo.