Opinião
A crise financeira e n�s
Ao mesmo tempo em que a crise financeira se prenuncia já como recessão global, o Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) publicou esta semana que o pagamento de juros pela União é o dobro do gasto com educação, saúde e investimentos. Infelizmente, por mais que se queira, não dá pra falar só de música, de cantinho e de violão. E, pelo menos, agora, diante do tamanho do problema e das evidências de que ninguém será poupado; Lula e sua equipe econômica, não continuam a afirmar, inconseqüentemente, como foi feito durante tempo mais do que tolerável de que esta crise era besta e que o Brasil estava blindado contra ela. O levantamento do Ipea calcado em números do governo mostra que entre 2000 e 2007, os juros responderam pelo desembolso de R$ 1,267 trilhão. No mesmo período, os gastos com saúde foram de R$ 310,9 bilhões, com educação foram de R$ 149,9 bilhões e com investimentos foram de R$ 93,8 bilhões, totalizando R$ 554,6 bilhões. O que se gasta com juros corresponde a 48% do que se gasta com saúde, educação e investimentos somados. O Ipea acrescenta: ?Ademais de poder ser considerado um gasto improdutivo, pois não gera emprego e tampouco contribui para ampliar o rendimento dos trabalhadores, termina fundamentalmente favorecendo a maior apropriação da renda nacional pelos detentores da renda da propriedade?. E tudo isto ocorreu e continuará a ocorrer em um governo do PT. Antes de ocuparem o poder, no discurso, eram os maiores inimigos da Banca; no poder são obrigados a conviver com esta realidade e o fazem confortavelmente. Mas os governos, se usarem o bom senso e relevarem a questão ideológica, podem sim atenuar os sofrimentos atuais e os muitos que vêm por aí. Exemplo prático: esta semana o governador Teotonio Vilela promulgou um convênio de auxílio à Casa de Apoio Lenita Quintela, que abriga cancerosos pobres do interior de Alagoas, que até então vinha sendo mantida somente pela Santa Casa pela Rede Feminina de Combate ao Câncer e alguns poucos empresários altruístas e abnegados, como o notável dr. Emérson Tenório. Em qualquer momento, mas principalmente naqueles de crise acentuada, mais do que nunca é necessário unir com sabedoria os esforços do Estado, da iniciativa privada e de voluntários solidários para atenuar os efeitos perversos destas crises geradas pela ganância e pela irresponsabilidade financeiras sobre os mais necessitados, e em Alagoas, ao que parece, isto está começando a se tornar realidade. (*) É médico e professor da Uncisal.