Opinião
Recado das institui��es
Na descontraída mensagem da melodia popular, um conhecido compositor expõe um entendimento de vida, baseado em dispensar o supérfluo e os tons nostálgicos da realidade, afirmando em síntese, não querer mais do que necessita para transmitir sua alegria. As instituições do País denunciam lamentos. Enfrentam deficiências, procuram caminhos e reagem para honrar seu papel. Não economizam esforços em prol da sobrevivência de sua missão. Igualmente, são levadas a renúncias e sacrifícios para poderem assegurar a sua vocação e as tarefas reservadas pelos seus destinos. As reformas aguardadas nacionalmente nunca chegam a ser plenamente concluídas. Terminam sempre sob a égide de uma sentença legendária ? não se trata da ideal, mas a possível. As limitações alcançadas restringem os passos da sociedade em direção ao futuro, adiam soluções e congestionam o debate fecundo das idéias. A teoria da divisão dos poderes, consagrada pela Constituição Federal, estabelece uma harmonia conjugada com independência, de difícil realização no domínio dos fatos. O professor Luiz Flávio Gomes aponta essa originária relação como ilusória, havendo no contexto da realidade confrontos de prevalência. Juristas reconhecem que a década passada pertenceu ao poder executivo. Outros, admitem que passamos a viver a era do poder judiciário. A importância das leis continua emprestando ao Legislativo, o cenário das transformações, daí a responsabilidade da população ao eleger seus representantes. A sonhada harmonia apresenta episódios de críticas, disputas e substituição de papéis. O diálogo incisivo sugere habilitação, conhecimentos e revisão de condutas. Nesse sentido, a sociedade ganha em conquistas mas sofre com a insegurança gerada pelos lances dos conflitos. Os representantes dos poderes constituídos e das diversas instituições nacionais, na ânsia do cumprimento de suas missões e da projeção do momento, cometem inegáveis excessos. A correção de rumos para ser eficiente e isenta de traumas, deve nascer da autocrítica e do saneamento interno de cada instituição. As novas gerações fortalecem os diversos segmentos do País ao lado dos velhos integrantes. Todos desejam superar adversidades e colher sonhadas realizações. Os brasileiros pedem mais consenso, triunfante apenas quando extintas as mágoas, o desenvolvimento e a paz revelem ao final avanços consistentes. (*) É advogado ([email protected])