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Opinião

Os dados da criminalidade em Alagoas

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A atual gestão da Secretaria de Defesa Social tem divulgado mensalmente os dados estatísticos referentes às ocorrências criminais no Estado de Alagoas. Esta iniciativa que demarca uma diferença das gestões anteriores poderá definir novas ações preventivas que, até o momento, ainda não estão sendo suficientemente efetivadas. É preciso otimizar este conhecimento estatístico para a formulação de ações planejadas da polícia, mas também utilizá-los para provocar uma reflexão no âmbito da sociedade sobre o porquê deste extraordinário volume de ocorrências criminais nos últimos tempos. Que sociedade é esta que estamos construindo? Por que a violência tem sido tão recorrente na resolução dos conflitos que, na verdade, são inerentes à vida em coletividade? Evidente que a violência não é um fato novo na história humana, mas temos por obrigação cívica e humanitária não perdermos a capacidade de indignação diante de tantos eventos que revelam uma perversa articulação entre duas variáveis explosivas e destrutivas que são a ?desvalorização da vida? e a ?banalização da morte?. Os dados estatísticos não podem ser tomados apenas para criar um clima de alarme no tecido social; devem sim servir para nos implicarmos, enquanto sujeitos sociais, com esta realidade que tem produzido um verdadeiro genocídio vitimando, sobretudo, os jovens entre 18 e 24 anos de idade, negros e residentes nas periferias de nossa cidade. A constituição de uma ?força-tarefa? para o enfrentamento desta problemática deve ter a participação não só das polícias, mas também de todos os cidadãos que, em sua maioria, não estão sintonizados com uma ?cultura de violência? que tem marcado historicamente o Estado de Alagoas. Os dados estatísticos que registram a ocorrência, entre janeiro e setembro de 2008, de 1.542 homicídios, 2.209 lesões corporais, 6.439 furtos, 49 atentados ao pudor, 54 estupros, etc., revelam que estamos diante de uma sociedade constituída de sujeitos extremamente intolerantes que têm tido dificuldades de mediar os seus conflitos através dos instrumentos civilizatórios garantidos pelo Estado Democrático de Direito. Certamente não estamos falando de um retorno à barbárie, mas sim de uma inquietante realidade onde há um esgarçamento dos valores que sustentam o respeito à dignidade humana, assim como a responsabilidade e o reconhecimento do outro como um sujeito de direitos. Se não cuidarmos da recomposição de laços sociais pautados nesses valores humanitários quem o fará por nós? (*) É professora da Ufal e coordenadora-geral e científica do Núcleo de Estudos sobre a Violência em Alagoas ? Nevial.

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