Opinião
Amsterd�, Holanda: o museu Anne Frank
A Holanda é um país interessante. Com cinqüenta por cento do seu território abaixo do nível do mar, protegidos por inúmeros diques, canais e comportas, produz alimentos para abastecer o país e exportar. Na estação central de trens em Amsterdã há conexões internacionais para quase todos os países da Europa. Amsterdã é a sua charmosa capital, mas a sede do governo fica em Haia. Aqui se encontram os edifícios governamentais, os ministérios, o palácio real, onde mora a rainha, e o regime político é formado por uma democracia parlamentar, sob uma monarquia constitucional. O Tribunal Internacional de Justiça, o principal órgão judiciário das Nações Unidas, instalado no magestoso Palácio da Paz, uma obra de arte que merece ser visitada, construída com o ?ouro? do magnata do aço Andrew Carnegie. Aqui se encontra também a Suprema Corte e as embaixadas estrangeiras acreditadas junto ao governo holandês. A Holanda não é somente reconhecida pelos moinhos de vento, os campos de tulipas, os tamancos de madeira, os queijos famosos, a tolerância social, o flutuante e colorido Mercado de Flores ao longo do canal Singel. É um país tinhoso com seus craques Marco Van Basten, Neeskens, Cruyff, talentosos, inovadores, totalmente imprevisíveis, revolucionando o futebol arte na copa do mundo de 1974 com o famoso carrossel holandês. Na partida final foram abatidos injustamente pelos homens de ferro da Alemanha, seus eternos rivais. É um país cultíssimo.Tive a sorte de assistir a uma apresentação da orquestra concertgebouw, uma das melhores sinfônicas do mundo. Existem incontáveis museus: no Rijksmuseu podemos apreciar Noturno de Rembrandt, Girassóis no museu Van Gogh e no famoso Museu Anne Frank, enfrentei uma grande fila e íngreme escada, ao lado de turistas de várias nacionalidades, para sentir o drama de uma adolescente e seus entes queridos, escondidos por mais de dois anos, no sótão do terceiro andar de um pequeno prédio às margens do canal central da cidade, fugindo das garras da temível Gestapo, a polícia nazista. Anne Frank, infelizmente, próximo ao fim da Segunda Guerra Mundial, foi descoberta e levada ao campo de concentração de Auschvitz, depois transferida para Bergen-Belsen, outro campo de extermínio e horror, aonde veio a falecer. A leitura do seu diário, descrevendo o pungente drama vivido, e o filme O Diário de Anne Frank, visto em todos os continentes, emocionaram o mundo inteiro. (*) É ex-deputado, ex-senador, ex-governador de Roraima.