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Opinião

Grampo para combater a peste

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A peste está acabando com o nosso País. A situação é desesperadora. Vemos os cérebros que administram a Nação serem irremediavelmente contaminados, e vemos que assim estéreis eles não se prestam para gerir o desenvolvimento social. Convenhamos, não é lá muito fácil encontrar uma vacina para erradicar esse mal. Fomos muito displicentes com a proliferação do homem-rato. Agora, temos que lutar para impedir que o terrível vírus da corrupção penetre na nossa corrente sanguínea. Mas a batalha chega a ser ridícula. De um lado, o homem comum deposita as suas esperanças no grampo, mesmo sabendo que isoladamente ele não vai salvar o país. De outro, aqueles que já estão contaminados repudiam essa idéia. Como todas as guerras, essa também exige uma reflexão: se não o grampo, quem poderia nas circunstâncias atuais fiscalizar de verdade os gestores dos cofres públicos? Os tribunais de contas? Os conselhos de ética dos poderes legislativos? Não. Além de onerosas para os contribuintes, não nos parece que essas instituições tenham independência política para tanto. Às vezes me pergunto: como podemos aceitar que instituições protetoras da sociedade estejam subordinadas aos potenciais transmissores do mal? Como podemos permitir que os gestores dos cofres públicos definam regras e nomeiem seus próprios fiscais? Isso é incompreensível, no futuro seremos motivo de chacota. Já debilitada com tudo isso, a voz rouca das nossas ruas clama pelo grampo. Legal ou ilegal, não importam os meios, visto que, em última análise, é ele que está impedindo o avanço do vírus. Assim, pois, o primeiro objetivo é frear as paixões exacerbadas do homem-rato, depois analisar se os meios usados foram ou não excessivos. Foi essa lógica, a das prioridades, que me fez aderir à idéia daqueles que sugerem desvincular o Ministério Público do poder político. E, ainda, para uma melhor performance, à ele agregar a Polícia Federal e os tribunais de contas. Temos que criar um modelo de fiscalização mais independente e temido. Um modelo capaz de desencorajar a fúria destruidora do homem-rato e, ao mesmo tempo, fazer com que apenas o homem público (sem o rato) volte suas energias para a realização do bem-comum. Acredite, leitor, nossa passividade será questionada pelas gerações futuras. Precisamos fazer alguma coisa, já, não podemos ficar apenas olhando a peste dizimar os nossos sonhos e os dos nossos filhos e netos. (*) É contador.

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