Opinião
Vingan�a dos dinossauros ou raz�o prec�ria?
Em 1989 cai o Muro de Berlim, evento emblemático que mostrou a exaustão do modelo do assim chamado ?socialismo real?, baseado em monopólio estatal da produção, partido único e planejamento da economia pelo Estado. Na época, não faltaram os que fizeram apologia das idéias liberais e neoliberais que proclamavam a superioridade da racionalidade baseada numa suposta mão invisível do mercado, em mecanismos monetários como o câmbio flutuante e o controle das taxas de juros por bancos centrais que gozassem de uma pressuposta autonomia (só não explicitavam a autonomia de quem) e que fossem atentos às razões de mercado. Os que pensavam diferentemente eram todos tidos como dinossauros. Em 2008, tudo isso cai em analogia à queda do Muro de Berlim. O Estado é requisitado a intervir pesadamente com uma ajuda que só nos EUA soma a quantia inicial de 700 bilhões de dólares. Como explicar a lógica neoliberal que julga o Estado corpulento como um gigante sem eficiência cujos pés não resistem ao próprio peso e por isso implodem? Tudo isso parece paradoxal, pois aqueles que caluniavam o pressuposto gigantismo do Estado são os mesmos que se valem do socorro deste último e que ademais, o mantêm forte nos seus respectivos Estados Nações. Mas o paradoxo é só aparente e não real. Isso porque aqueles que reivindicavam (e ainda reivindicam) Estados Mínimos para os outros são os mesmos que mantêm Estados gigantescos para si, que são atentos aos interesses das grandes corporações. Segundo, porque a mão invisível do mercado é uma farsa. A prática do comércio internacional envolvendo medidas protecionistas que a diga. Quanto ao quesito autonomia, não é necessário mais do que quinze minutos de reflexão para chegarmos à conclusão de que tão mais fraco for o Estado pior se dará a defesa dos interesses legítimos do povo representado por ele. Não somente os que se arvoram como teóricos, mas fundamentalmente todas as pessoas estão seriamente convidadas a exercer as suas faculdades de reflexão. O socialismo que se chamou de real, não vingou, pois não contemplava a liberdade e o pluralismo que não são coisas da ideologia burguesa como rezava a propagada tola. Elas são imprescindíveis para a humanidade e para a racionalidade. Por outro lado, as liberdades apenas para os mercados se convertem muito facilmente em ditaduras que impedem liberdades mais amplas. Tudo está aberto e os teóricos de diversas lavras têm que reconhecer humildemente as suas limitações racionais. (*) É doutor em Física e professor da Ufal.