Opinião
Horrores urbanos
Certas tragédias chocam especialmente a opinião pública e, na maioria dos casos, reúnem variados dramas humanos unidos em seus limites máximos. Este é o caso do assalto que vitimou uma senhora de 78 anos em plena praia de Pajuçara. Além da conhecida e reconhecida realidade de insegurança pública, a ocorrência choca particularmente o público em função da violência despropositada e da sensação de abandono e impotência que envolve a população maceioense, além de ser mais uma comprovação do poder destrutivo das drogas (que por sinal parecem grassar em nossa cidade). Apesar de existir quem ?não saiba por que? este caso esteja tendo ?tanto destaque? na mídia, a indignação da sociedade alagoana tem toda razão se ser. Até muito pouco tempo , a sociedade alagoana se orgulhava de um fato positivo dentre tantos acontecimentos negativos no histórico da insegurança pública em Alagoas: podia-se passear, sem riscos, a qualquer hora, pela orla praieira de Maceió, podia-se andar pelo Centro da cidade e pelos bairros sem medo de assaltos e/ou atos de violência. Dizia-se, inclusive, que em nosso Estado ?não existiam balas perdidas?. Agora não só tornaram-se recorrentes as balas perdidas como esses projéteis errantes, a exemplo do que ocorre no resto do Brasil sempre acham um inocente em sua trajetória. E a tragédia que levou Dona Floraci ao coma lembra ao alagoano que ninguém está a salvo, em nenhum lugar, em nenhuma hora do dia. E que nem precisa portar objetos do desejo dos meliantes, pois qualquer coisa pode provocar a iniciativa e a ira dos bandidos. E sobre o acusado pela tragédia, o que dizer? Um jovem de classe média no qual os conhecidos e familiares reconhecem um viciado com tendências violentas. Isto posto, o que se pode esperar? Talvez nada, a não ser rezar para evitar ser a próxima vítima.