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Opinião

Percep��o de risco

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De uma despretensiosa conversa, eclodiu a preocupação com algo que está presente no cotidiano de todos nós: o perigo difuso. O interlocutor que me atentou para a extensão desse fenômeno, cada vez mais inerente à vida moderna, é o engenheiro Wilson Lúcio Sticca, um bom mineiro, devorador de pão de queijo, especializado em metalurgia e que se dedicou ao estudo da percepção de risco. O que, num primeiro instante, pode significar um mero papo de integrantes de comissões de prevenção de acidentes no trabalho ou de membros do Corpo de Bombeiros, logo se conclui que a percepção do perigo deve ser encarada de forma ampla e irrestrita na vida de todos os seres humanos. É muito mais complexo do que certos manuais de aconselhamentos. Na França, por exemplo, quando as autoridades passaram a identificar formalmente o risco da AIDS no campo da saúde pública, os reflexos decorrentes do atraso na adoção de procedimentos enfraqueceram a medicina preventiva, como política que deveria ter sido implementada nesse campo há bem mais tempo. O chamado perigo difuso está em todas as partes: desde a cozinha, onde o cabo da panela de gordura quente projeta-se para fora do fogão, passando pelo trânsito caótico, repleto de motoristas desprovidos de comportamento solidário e desatentos à direção defensiva e chegando também ao comércio, à indústria e ao nosso lazer de cada fim de semana. Diante do crescimento dos estudos sobre percepção de risco, que são fundamentais para o estabelecimento de indicadores em diversos campos do conhecimento, é fácil perceber a necessidade imperiosa de desenvolver a cultura da prevenção, a partir da escola e da formação da nossa juventude. Nós somos tão imprevidentes que não conseguimos nem sequer formar, na maioria dos municípios alagoanos, as comissões de defesa civil, de modo a mobilizar a comunidade em benefício de si própria. É a mobilização perene da coletividade ? e não apenas em momentos de enchentes e catástrofes ? que ajuda no desenvolvimento da cultura de paz, tão reverberada nos últimos tempos. A convivência em sociedade de risco exige de todos nós um comportamento previdente. Pensando assim, estaremos contribuindo para diminuir demandas e melhorar os serviços públicos, que reflete na economia de recursos que podem ser redirecionados para a elevação da qualidade de vida de toda uma sociedade. (*) É jornalista.

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