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Opinião

Ignor�ncia em campo

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Estimulada pela estupidez parlamentar de tentar cassar o nome de um dos estádios mais conhecidos do Brasil, uma enxurrada de sandices ? sobre essa polêmica ? assola nosso Estado. Os argumentos pela cassação do nome ?Rei Pelé?, apesar de contar com poucos adeptos, se destacam pelas estultices arroladas e pela ignorância pura e simples acerca da história recentíssima. Há quem defenda a cassação do nome do estádio em função de Pelé ?não ter vindo a Alagoas nem para a inauguração? (!). Deus, perdoai quem não sabe o que fala... Quem acessar a internet ou pesquisar nas coleções de jornais da época, verá que o Estádio Rei Pelé foi inaugurado com a presença de Edson Arantes do Nascimento em campo, envergando a camisa 10 do Santos Futebol Clube numa partida antológica onde o time paulista meteu 5x0 na seleção alagoana. Naquele dia, 25 de outubro de 1970, o Trapichão registrou seu recorde de público. A ignorância vai além e alguns se estendem dizendo que Pelé ?nunca? veio a Alagoas. Inverdade: antes da inauguração do Trapichão, Pelé já havia passeado com a camisa 10 do Santos por gramados alagoanos, no caso o da Pajuçara, em 1965, quando depenou o Galo de Campina por 6x0. Pelé retornou a nosso Estado depois de aposentado do futebol, quando abriu uma exceção memorável em seu apartidarismo étnico e deslocou-se até União dos Palmares, no dia 20 de novembro de 1995, para prestigiar a solenidade pelo tricentenário do sacrifício de Zumbi dos Palmares. E mais: a homenagem aos grandes vultos nacionais e internacionais justifica-se pela contribuição universal dessas personalidades e não por troca de favores provincianos. Cassar o nome de Pelé é cassar um momento de grandeza alagoana. Grandeza que precisa ser também expressa em homenagens a Marta, Zagalo, Dida... sem cassação de outrem.

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