Opinião
Pot�ncia em xeque
Reafirmando sua inteligência e capacidade de dar respostas rápidas, Barack Obama confirmou a escolha de sua ex-rival Hillary Clinton como secretária de Estado e reafirmou a continuidade do republicano Robert Gates como conselheiro de Segurança Nacional. Sem alardes espalhafatosos, o presidente eleito dos Estados Unidos costura uma grande aliança, buscando reduzir os confrontos políticos internos desde antes de sua posse. Tendo Hillary como chefe do Departamento de Estado (condutora da política externa da grande potência), o governo Obama veste-se de uma cara simpática e com brilho próprio, agregando o fulgor restante do prestígio internacional do ex-presidente Clinton. De quebra, se Clinton pisar na bola em algum momento, a tendência é essa energia própria do casal findar por absorver os impactos negativos, aliviando a carga pessoal sobre o presidente (o que não acontece hoje, apesar do brilhantismo de Condolezza Rice). E a situação do mundo não está nada boa para o poder hegemônico global dos Estados Unidos. São terríveis e tendem a aumentar as conseqüências ululantemente trágicas da política Bush de combate ao terrorismo. Contrariando as declarações oficiais ufanistas sobre a ?missão cumprida? pelos marines e seus associados na luta contra o terror, a situação está um horror. Além das chocantes ações criminosas e suicidas como as que mataram cerca de 200 pessoas em Bombaim (Mumbai), na Índia, a violência insana tem crescido noutras partes do mundo, assim como recrudesce o derramamento de sangue em áreas tidas como ?quase normalizadas?, como o Iraque, Afeganistão e Palestina/Israel. Donos do mundo contemporâneo, os Estados Unidos estão numa situação extremamente delicada. E para enfrentar essa enxurrada de crises, só com muita inteligência, amplitude política e capacidade de dar novas respostas.