Opinião
Voltando a Delhi
Estamos novamente na estrada recém construída em direção a Delhi. Encontramos pelo caminho uma profusão de transportes que vai dos ônibus aos gerinquixas. De vez em quando aparece, na contramão, uma carroça puxada a camelo, um caminhão, ou são as vaquinhas sagradas que resolvem atravessar o transito numa tranqüilidade senhorial. Jaipur, que tanto nos encantou com seus palácios deslumbrantes e seus fortes altaneiros, vai ficando para trás e nos deixando saudades. Gostamos muito dessa cidade, não obstante guardar algumas características bem próprias da Índia como: a pobreza e o excesso de população. Mas o povo é cordial e humilde. Olhando as paisagens que se desenrolam lá fora, nas margens da estrada, ficamos pensando nesse país e em sua cultura tão diferente da de outros lugares que conhecemos. Que povo místico! Professam o hinduísmo em primeiro lugar, mas o budismo, o islamismo, o jainismo, o siquismo e o bramanismo têm seus espaços de importância, também. Além dessas religiões ainda adotam umas mil seitas! E as línguas? Falam principalmente o hindi e o inglês, mas o governo reconhece 22 idiomas. Porém, na verdade, existem mais uns 1.600 dialetos espalhados por todo país. Outro costume inédito na sociedade deste lugar é a sua divisão em castas. Existe a dos Brâmanes-nobres e sacerdotes, a dos Xatrias-guerreiros, a dos Vaíxias-comerciantes e camponeses, a dos Sudras-escravos e dos Párias que são os pobres. A estes são conferidas as piores tarefas. Não obstante o governo ter abolido por lei essa divisão da sociedade em 1949, ela ainda existe e ao correr dos anos se subdividiu em novas castas. Esse sistema torna a sociedade estática, pois os indivíduos que formam uma casta têm que pertencer à mesma etnia, falar a mesma língua, usar os mesmos trajes, ter a mesma ocupação, professar a mesma religião e casar entre si. As mulheres casadas repartem os cabelos ao meio e pintam a divisão com uma tinta branca que vai até o começo da testa. Aí, geralmente penduram uma jóia. Chama-se bindi, esse sinal. Chegamos a Delhi e nos hospedamos num belíssimo hotel recém-construído, o Park. Almoçamos no elegante restaurante do próprio hotel, a melhor comida da Índia. Depois fomos visitar a Mesquita de Jama Masjid, a maior do país. Toda em mármore de duas cores ergue sua fachada, cheia de arcadas, entre dois elevados minaretes. O pórtico de entrada é bem alto e trabalhado com desenhos estilo mongol. Três enormes cúpulas se levantam acima da cobertura. Para chegarmos à mesquita temos que subir a enorme escadaria que a circunda. O interior suntuoso é todo em mármore esculpido. Hoje à noite deixaremos a Índia. Foram dias exaustivos, mas fascinantes! (*) É escritora.