Editorial
Firmeza e pragmatismo

Diante do tarifaço de Donald Trump, gesto que mistura protecionismo econômico com motivações políticas, o governo Lula traça três frentes de atuação que, se bem coordenadas, podem minimizar os danos ao País e, ao mesmo tempo, preservar pontes com os Estados Unidos.
A primeira aposta é no poder de pressão do setor privado. Empresas multinacionais, afetadas nos dois lados da balança comercial, já se mobilizam para convencer Washington de que a medida é contraproducente.
O impacto não será sentido apenas no Brasil: o café, a laranja e a carne brasileiros integram o cotidiano dos americanos, e o encarecimento desses itens pode ter repercussão direta no bolso do consumidor.
Paralelamente, o governo brasileiro iniciou um diagnóstico detalhado dos prejuízos que a tarifa de 50% pode causar à indústria nacional. Essa análise será essencial para embasar a terceira frente: a preparação de possíveis medidas retaliatórias, que incluem desde sanções a produtos culturais até a quebra de patentes. Essa via, porém, será usada com cautela e apenas como último recurso.
O Brasil precisa manter o equilíbrio entre firmeza e pragmatismo. A escalada protecionista de Trump é mais uma peça de seu jogo eleitoral e não deve ser respondida com impulsos..