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De Pel� a Beira-Mar, um choque de gera��es

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Somos de uma geração em que a família realmente era o berço da sociedade. Esta mesma geração passou por várias transformações, ou como disse um músico contemporâneo, passamos por uma ?metamorfose ambulante?, o que significa dizer que rapidamente nos transformamos. Nessa época em que minha geração era adolescente e até adulto jovem, o que imperava em nosso lar era o respeito, respeito aos mais velhos e principalmente ao pai e à mãe. Somos de uma geração em que as palavras tinham um significado e o que era dito representava exatamente o sentido desta palavra. Para exemplo: pais significavam autoridade, amor, carinho e modelo; família significava união, respeito, atenção; e amigo significava amor, confiança e fraternidade, sendo-nos ensinado que ser era muito mais importante do que o ter. Somos de uma geração em que craque era um ás, um exímio jogador e exemplo para todos nós. Para clarear nossa memória, lembremos de alguns craques como Pelé e Rivelino em âmbito nacional e internacional; em nossa querida Alagoas, tivemos verdadeiros craques como Roberto Menezes e Silva, pelo CRB, e Tonho Lima e Paranhos, pelo CSA. Geração cujas substâncias liberadas pelo sistema nervoso central, como a Dopamina, eram oriundas de um prazer real, que se prolongava muitas vezes por dias, semanas ou meses felizes, e este prazer era compartilhado por pais, família e amigos. Hoje a tal ?metamorfose? aconteceu. Os pais perderam a autoridade, trocaram o amor e o carinho por doação ou trocas. E como ser exemplo sem amor, carinho e autoridade? A família deixou de ser unida, pois no meio dela existe um aparelho de TV que dita as normas da casa. Como ser família sem diálogo ou respeito? Hoje, craque mudou não só a grafia, mas também o significado. Crack, gente, é uma droga potentíssima derivada da cocaína e que leva as pessoas a viverem um prazer irreal e fantasioso, que acabou com a autoridade e o amor dos pais, a união das famílias e a fraternidade entre amigos. A realidade deste crack é a violência, a degradação e a escória da sociedade. Pena que nossos governantes não levem a sério esta realidade. Lutam apenas por votos, por poder e por si mesmos, e nesta luta individual o único rei e crack está sendo Fernandinho Beira-Mar. Lutemos por outros Pelés, Rivelinos, Robertos Menezes, Silvas, Tonhos Lima e Paranhos, que estaremos não só lutando por verdadeiros craques, mas também por dignidade. (*) É médico.

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