Editorial
Avanços concretos

Os números divulgados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam uma tendência animadora: em 2024, o Brasil registrou o menor índice de mortes violentas intencionais desde o início da série histórica, em 2012. Foram 44.127 vítimas, uma queda de 5% em relação a 2023. Essa trajetória de redução, iniciada ainda em 2018, atravessou governos de diferentes espectros políticos e representa um avanço concreto na segurança pública do País.
Um destaque notável é o desempenho de Alagoas. O Estado registrou a maior redução de mortes violentas do Nordeste – uma retração impressionante de 47,4% em doze anos. Essa conquista não é apenas estatística: ela representa milhares de vidas preservadas e uma mudança significativa no cotidiano da população alagoana.
No entanto, o cenário positivo esbarra em uma realidade brutal que persiste: os feminicídios. O Brasil teve, em 2024, 1.492 casos, o maior número desde que o crime foi tipificado em 2015. A maioria das vítimas era negra, jovem, assassinada dentro de casa por companheiros ou ex-companheiros.
Enquanto o País celebra avanços no combate à criminalidade geral, não pode ignorar a face mais cruel da violência: aquela que acontece dentro dos lares, alimentada pelo machismo e pela impunidade.