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Opinião

Professor Gilberto Macedo, um mestre e um amigo

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Quem, como eu, teve o privilégio de conhecer o professor Gilberto Macedo, pode avaliar o seu valor intelectual, moral e humanístico. Foi um mestre na verdadeira acepção da palavra. Suas aulas eram recheadas de experiência e ensinamentos de vida. Ele se diferenciava de alguns outros seus colegas. Suas aulas não se encerravam no término do horário estabelecido. Elas se estendiam por mais tempo, pois ficávamos a conversar não somente sobre o assunto da aula mas outros temas eram colocados e aprofundados. Insistia para que continuássemos lendo sobre o assunto e nos incentivava, muitas vezes, propiciando mais literatura. Encorajava-nos a escrever e publicá-los; dizia ele que é preciso ter coragem e não ter medo das críticas que nos fazem, pois elas, acrescentava, são até necessárias e imprescindíveis ao nosso aprimoramento, ?só os covardes?, completava ele, ?se escondem sob mantos pouco nobres e o muito que fazem é criticar. São os medíocres que nada produzem?. Fui um dos seus inúmeros alunos do curso de medicina da nossa antiga e vetusta Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas. A sua marca foi tão forte na minha formação e dos meus colegas que, quando dos nossos periódicos encontros de turma, para comemorarmos as datas maiores, seu nome sempre era lembrado por todos nós. O mestre, ao meu ver, não é aquele que passou, mas o que ainda vive em nós por meio dos seus ensinamentos, e o professor Gilberto Macedo é um deles, pois no dia-a-dia, na prática médica, na relação com os nossos pacientes, seus exemplos bailam à mente e são revividos pelas palavras que tivemos dele, dos seus exemplos, das suas afirmações. Isso é o que imortaliza uma pessoa. Mesmo distante de Alagoas, a internet vinha me propiciando reencontrá-lo sempre por meio da coluna Opinião que costumo abrir quase que diariamente, ouvindo ainda sua voz, sua intelectualidade. Tenho guardado comigo esses artigos, além dos livros que o professor Gilberto de Macedo me autografou. O seu desaparecimento se constitui numa perda irreparável, para sua família, para seus amigos, para o Estado de Alagoas e, principalmente, para a cultura médica nacional. (*) É médico psiquiatra e membro da Academia Sergipana de Medicina.

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