Opinião
Canal intermin�vel
Obra hoje integrante do folclore político alagoano, o Canal do Sertão insiste em seguir inconcluso, frustrando, ano a ano, as esperanças dos sertanejos. Justificativas para a obra seguir interminável são sempre apresentadas, toda vez que a mídia busca alguma explicação para o lento caminhar da obra. E, como uma sina a mais a castigar a região, denúncias de irregularidades jorram do dito canal, tantas que não se sabe direito o tamanho do buraco. Conforme apurado por reportagem de Carla Serqueira, publicada em nossa edição de anteontem, as irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União chegam a ameaçar o cancelamento da obra como um todo, o que seria um brutal castigo para o povo alagoano, pois além de ficar de vez sem o canal, teria perdido de vez a chance de ver se transformar em algo útil pelo menos uma pequena parte dos R$ 100 milhões gastos, em dinheiro público, até hoje. Desgraçadamente, como a história recente de nosso País tem reprisado, os desvios de dinheiro público, quando descobertos e confirmados, pouco produzem de resultados educativos (quantos condenados? Quantos condenados estão pagando pena?), e não há registros de devolução (em termos de valores realmente consubstanciados) dos recursos roubados ao erário. Assim, ao fim e ao cabo, quem perde mesmo é o povo. Esperança dos sertanejos alagoanos, o Canal do Sertão tem irrigado os bolsos de outrem e, sem dúvida, com suas obras ao sol teima em ser um espetáculo inacabado, um sonho vertido em pesadelo. Prometido para este mês, o primeiro trecho de uma obra em obras há 15 anos, talvez fique para o ano que vem. Com sorte, e ao custo de mais alguns milhões, quem sabe, no ano vindouro, Alagoas poderá inaugurar o primeiro trecho do canal interminável. Sonhar sempre é bom.