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Opinião

Um grito de socorro!

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Perdoem-me os meus leitores fascinados por descrições de viagem, por interrompê-los, às vezes, introduzindo outros temas. Quando o assunto me toca profundamente, sinto uma imperiosa necessidade de dar meu palpite, com a intenção de acordar os responsáveis para causas prejudiciais a todos nós. Sei que meus gritos de protesto não resolverão o problema, mas, pelo menos, estarei fazendo a minha parte! O que há com o Brasil? Estamos numa guerra? Onde estão as nossas Forças Armadas, a nossa Justiça? Que fazem os nossos governos, que parecem perdidos entre a incapacidade e os próprios interesses? Mata-se, rouba-se, seqüestra-se, depredam-se os bens públicos e privados como se estivéssemos entre bárbaros! Em plena época em que a informática domina as comunicações, cria impressionantes possibilidades de trabalho? Quando a medicina se absorve em aumentar o limite de vida, em curar males antes indecifráveis? Quando a ciência resolve os mais incríveis problemas da existência? Que destino esperam nossos filhos, nossos netos? Ódios, vícios, indiferenças, ganâncias, se instalaram no âmago dos cidadãos fazendo-os esquecer que viver não é nada disso. Que a vida é preciosa e bela para ser estragada, assim à toa, estupidamente, sem nenhum valor. Como soltar nossos filhos nas ruas, se nem sabemos como voltaremos para casa? O perigo espreita em cada esquina. Os malfeitores já não se satisfazem apenas em furtar, mas matam por nada! E os pedófilos que se multiplicaram e trafegam livres a usar crianças nas suas práticas bestiais? E as mães insanas que abandonam os filhos nos mais inesperados lugares? E o MST que bloqueia estradas e agora ameaça incendiar os veículos se não for obedecido? Que país é este? Que bagunça é esta? Os policiais insuficientes, mal preparados, mal municiados ficam sem condições de exercer sua profissão com eficácia. E ainda são mal recompensados numa tarefa tão perigosa. A Justiça, simbolizada por uma mulher de venda nos olhos, parece estar realmente cega quando deixa na impunidade delinqüentes de tanta periculosidade. Os marginais já nem respeitam as delegacias, desafiam-nas mesmo, cometendo seus delitos bem próximos a elas ou, às vezes, dentro delas! O que está acontecendo em nossa pátria? Será que os poderes nunca vão se enternecer diante de tanta desgraça? Quando vamos ter paz? Quando poderemos andar nas ruas, entrar e sair dos bancos sem sermos atacados por larápios? Como se já não bastasse o desassossego em que vivemos até a natureza resolveu castigar, com inédita crueldade, os habitantes de Santa Catarina, deixando milhares de pessoas sem teto e vitimando fatalmente outras, sob os escombros. (*) É escritora.

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