Opinião
Querer e perseverar
Deixou-nos ele precioso lembrete que vale por todo um Tratado de Psicologia. Ludwig Beethoven ? aquele genial músico ? declarou a quantos desejam vencer na existência: ?O gênio compõe-se de dois por cento de talento e de noventa e oito por cento de perseverança?. Não há como negar: vitórias decisivas nunca se improvisam, porque não são frutos de gramas de audácia, senão, de toneladas de perseverança. Quem já conquistou sucessos duradouros de um instante para outro? Os marcantes triunfos sempre foram cascatas de perseverança de rios correntes. Certamente, as mais belas vitórias são bem anteriores a si mesmas, com marcas de esforços contínuos, de incontáveis passos dados, de inacreditáveis flagelações corajosas. Quem não persevera, perde a caminhada que encetou. Ravignam enviou à humanidade esta bela mensagem ? ?Há três modos de querer: querer porque não custa, querer embora custe e querer, exatamente, porque custa?. ?Querer porque custa? é apanágio daqueles que sabem o que querem, como querem e por que querem. Importa você querer, ainda que isso custe, entretanto, valor maior não se levanta para sentar-se no trono da perseverança. Na terra, nossa existência é qual sinfonia inacabada, cujo desfecho melódico só captaremos quando a perseverança dedilhar no piano da chegada à última nota sem fim. Torna-se, assim, a perseverança o apanágio daquelas pessoas que nunca se acham realizadas definitivamente, daqueles que são resolutos e acreditam na felicidade que vai chegando ou já chegou. Sendo assim nunca deixam de caminhar, certos de que, na estrada da perseverança, não há lugar para fugas ou deserções. Estou em que somente o hoje perseverante assegura o amanhã de realizações, quando, então, descobrirmos deslumbrados a reserva imensa de energia que possuíamos e não éramos capazes de descobri-la.. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e presidente da Academia Alagoana de Letras.