Opinião
Governos honestos
Todos os governos se julgam ou pretendem ser honestos. Uma ambição política, um charme do poder, um desejo de seriedade para a história. O futuro os analisa, em clima emocional diverso, distante das circunstâncias dos acontecimentos. Aplausos, revisões e enganos conjugam a trajetória da consciência política. Aos olhos do tempo os governos se parecem. Saint Jame, com sabedoria britânica, nos legou uma formidável sentença: ?Ninguém governa sem culpa?. A arte de governar revela contradições, recomenda humildade e se debate com a incessante luta das paixões humanas. A distinção entre os governos repousa no elenco de suas decisões, na fixação de objetivos e na coerência de suas ações. Na prevalência de seus temas e nas atitudes geradoras de sua herança administrativa. Uma angústia existencial persegue todos os governos. As dificuldades buscam responsabilizar o passado. Embora, não mais vigente, permanece como uma sombra em comparações e obstáculos. Os governos bem sucedidos possuem a capacidade de fazer renascer as esperanças, desprezam lamentos e aprendem a não repetir equívocos. Um conjunto de valores decide a seriedade dos governos. A coerência ideológica retrata o compromisso com as idéias do partido que representa. As promessas de campanha quando efetivadas, o respeito às alianças eleitorais firmadas e as atenções dadas às expectativas da população ajudam a preservar a imagem política do poder. Os governos democratas admitem as críticas e incentivam o debate das idéias. Privilegiam o planejamento e as metas prioritárias delineadas. Fortalecem os setores estratégicos do Estado moderno e dão relevo aos serviços essenciais que prestam à população. As futuras pretensões políticas devem ser conseqüências dos resultados positivos alcançados. Cada momento social possui um cenário de alertas. Reflexão para se medir a indecisa ou objetiva atuação da máquina estatal. Atender à complexidade da série de reivindicações, as crescentes demandas e a natureza inconformada dos homens, se constitui uma missão estóica somente correspondida com base em nobres e destemidos ideais. A exaltação da honestidade pode torná-la uma palavra perigosa. Os ventos perdidos costumam açoitar a alma dos governos. O caminho mais seguro é cultivar o exemplo das virtudes, assumir os riscos da austeridade, praticar indistintamente o bem e trabalhar para merecer os sonhos dos justos. (*) É advogado ([email protected])