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Freitas Cavalcanti, centen�rio de uma legenda

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Vivo, Freitas Cavalcanti estaria completando cem anos. Advogado, jornalista, homem de letras, orador, parlamentar, professor e político, este filho de Penedo ensinou o que todos esperamos dos homens de têmpera: a dedicação aos ideais de uma vida pública exercida com elevação, com idealismo e com devotamento. Depois de ter sido deputado estadual na legislatura de 1935 a 1938, que a ditadura do Estado Novo frustrou lançando o País nas trevas das liberdades reprimidas, Freitas foi se abrigar na docência na então Faculdade de Direito de Alagoas, lá ensinando o bom combate e ofertando exemplos de uma vida iluminada pelos mais nobres ideais de justiça. A amizade que pela identidade de interesses uniu Freitas a meu pai, Rui Palmeira, fez deles paladinos da luta pela redemocratização. Juntos a outros idealistas eles fundaram a União Democrática Nacional, símbolo da resistência democrática e da consciência de homens livres. Foi Constituinte na luta pela Constituição enfim resgatada, não pactuando com suas deficiências e reclamando de suas carências. Em outubro de 1950, seus conterrâneos o elegeram ao Senado Federal, com a maior votação daquele pleito. Um gesto e um ato ao mesmo tempo de desafio e de independência marcaram seu pronunciamento em defesa da posse de Juscelino Kubitschek, no momento em que o País se encontrava em estado de sítio decretado após os episódios de 11 de novembro, do impedimento do Vice-Presidente em exercício Café Filho e do suicídio de Getúlio Vargas. Na sucessão de Juscelino, sempre ao lado de Rui Palmeira, também Senador, defendera a idéia de apoiar a candidatura Jânio Quadros. Ao findar-se seu mandato de Senador, ante a aposentadoria do ex-governador Silvestre Péricles do Tribunal de Contas da União, Jânio buscava alguém com perfil de incorruptível, dotado de equilíbrio e sensibilidade para exercer a função de ministro daquela Corte. E o nome de Freitas Cavalcanti foi o indicado pelo presidente, ressaltando a afeição que Freitas devotava aos estudos dos problemas econômicos e financeiros do País. No Tribunal, cuja presidência exerceu nos anos de 1966 e 1967, o Ministro Freitas Cavalcanti atuou com o mesmo brilho que marcou o exercício dos relevantes cargos públicos que exerceu. Lá permaneceu por 16 anos, honrando a tradição de austeridade que imprimiu à sua vida privada e sua exemplar vida pública. É assim, este centenário senhor, uma legenda para Alagoas e para o Brasil. (*) É ministro do Tribunal de Contas da União.

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