Editorial
Desenvolvimento e responsabilidade
Ao vetar parte significativa do projeto de lei que flexibilizava o licenciamento ambiental, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não apenas preservou um dos principais instrumentos de proteção da natureza no Brasil, mas também sinalizou que desenvolvimento e responsabilidade socioambiental não podem ser tratados como forças opostas.
A proposta, celebrada por setores do agronegócio e da indústria, foi duramente criticada por ambientalistas e pelo próprio Ministério do Meio Ambiente, que enxergavam nela um risco concreto de retrocesso em tempos de crise climática.
Os 63 vetos não anulam a necessidade de tornar o licenciamento mais ágil e eficiente, mas reforçam que a pressa não pode atropelar critérios técnicos e compromissos internacionais para proteção do meio ambiente em um contexto de crise climática, perda de biodiversidade e de processos de desertificação.
O desafio do governo agora é transformar essa decisão em política de Estado: investir em tecnologia, transparência e diálogo com todos os setores para que obras e empreendimentos avancem sem abrir feridas irreversíveis no patrimônio ambiental brasileiro. Afinal, flexibilizar a proteção da natureza pode ser um caminho sem volta — e o preço, nesse caso, seria pago por todos..
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