Opinião
Economia verde-rosa
Durante a abertura de mais um encontro sobre mudanças climáticas e meio ambiente, realizado na cidade de Poznan, na Polônia, o Brasil foi citado pelo secretário geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, como exemplo de economia verde. O que isso significa para nós, brasileiros? Em primeiro lugar, sempre faz bem ao amor-próprio ter algo de bom reconhecido por alguma voz representativa, num fórum significativo. Em segundo lugar, é igualmente positiva a citação se ela tiver o efeito de nos provocar a pensar nossas soluções de forma menos ?partidária? e mais cidadã, buscando elevar os exemplos verdadeiramente bons e corrigir os erros cometidos. Infelizmente, todo tipo de colocação sobre o nosso País é decodificada, desde o primeiro momento, através do posicionamento político/partidário, e, antes das assertivas (positivas ou negativas) serem analisadas de forma desapaixonada, são submetidas ao crivo da seguinte pergunta: ?Isto é bom ou ruim para o governo?? ? Daí a oposição desanca a opinião e a situação a endeusa; e como resultado óbvio, minguam as chances de reflexões aprofundadas. Aproveitando esta deixa do Secretário-Geral da ONU, deveríamos abrir os nossos olhos para nossa própria realidade e prestar mais atenção, refletir mais, estudar com redobrado afinco, aquilo que estamos (enquanto País) a fazer. O que é mesmo esse exemplo elogiado de ?economia verde? brasileira? Em tempos onde a definição de áreas gigantescas como a Reserva Raposa Serra do Sol provoca justificados temores e espalha dúvidas inquietantes, como estamos (enquanto País) pensando e praticando a badalada ?economia verde?? Estaremos superando a fase do entendimento da causa ecológica como algo antagônico à causa econômica? Especialmente em tempos de crise global, é essencial responder a essas questões.