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Agonia das lagoas

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Assombração que aterrorizava Alagoas no passado recente, a ponto de ser usada até como arma de propaganda eleitoral, o desaparecimento do sururu, infelizmente tornou-se realidade; e o pior: o sumiço parece não causar reação. Ícone da culinária alagoana, o molusco tem fama nacional como tal; há muitas décadas é tido e havido como um sinônimo de Alagoas, apesar desse vivente habitar também outras paragens. Assim, bom e velho sururu é um símbolo de nossa cultura ? para além da culinária (vide o antigo sucesso do Sururu da Nêga como uma das músicas carnavalescas mais conhecidas de nossa história) A reportagem publicada anteontem, na Gazeta de Alagoas, demonstra, com riqueza de informações, como minguou a produção local do molusco, a ponto de nosso mercado estar sendo abastecido desde os mangues de Sergipe. E se prestarmos atenção, é também dos mangues sergipanos que vêem os caranguejos que abastecem nossas mesas. E esse fluxo de Guaiamuns (os sergipanos preferem o Uçá, quando os alagoanos apenas lhes apreciam as patas) já perdura há muitos anos. Um dos traços mais marcantes da personalidade de uma comunidade se expressa em sua culinária. E, especialmente num momento onde se busca impulsionar o turismo, esses traços são elementos essenciais para (dentre outras coisas) a definição e valorização do destinos turísticos. Mas o principal mesmo é o alerta ambiental emitido, dramaticamente, pelo sumiço de um dos habitantes mais tradicionais do ecossistema alagoano. Quando desaparece (ou tem a população drasticamente reduzida) um elo da cadeia ecológica, a cadeia da vida torna-se mais pobre e mais vulnerável como um todo. Sem o sururu, nossas lagoas confirmam-se como nichos ecológicos em sofrimento, em decadência. Nosso ecossistema, antes tão rico, pede socorro; e não está sendo ouvido.

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