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O Natal atrav�s do tempo

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Quando éramos pequenas, minha irmã e eu, mamãe nos fazia acreditar na fantasiosa existência do Papai Noel. Era o bom velhinho que nos daria presentes, de acordo com nosso comportamento durante o ano. Caprichávamos por merecê-los. Minha irmã, mais do que eu. Ela era acomodada, estudiosa, não fazia nada para desagradar nossos pais. Quanto a mim, de vez em quando, extrapolava nas travessuras. Tinha grande ansiedade de conhecer os segredos ocultos à minha pouca idade. Minha mãe, boa, mas rigorosa, não deixava passar nada: e eu estava sempre sofrendo alguma punição por minhas traquinagens. Mas no Natal havia certa condescendência e eu era anistiada. Mamãe escondia os presentes e, na noite de Natal, os colocava em nossos sapatos para que os encontrássemos ao acordar na manhã seguinte. Ela vibrava em ver nossa satisfação ao nos depararmos com o que havíamos pedido, previamente, por carta, ao bom velhinho. Desta forma procurou esconder, por alguns anos, esse segredo. Alguém soprou nos meus ouvidos, que Papai Noel era uma farsa e que as dádivas partiam de nossos genitores. Tinha seis anos de idade. Fiquei obcecada em constatar essa observação, e passei a revistar todos os lugares possíveis, onde meus pais pudessem ter ocultado os presentes natalinos. Até que os encontrei em cima de um guarda-roupa. Eufórica com a descoberta, sentindo-me uma heroína, fui correndo contar-lhes que já sabia serem eles os autores dos presentes de Natal. Quando fiquei adulta me arrependi de ter estragado, com minha curiosidade, aquele prazer inocente que os fazia tão felizes! Naquela época, sobretudo aqui no Nordeste, os Natais não eram tão festejados. As casas não apresentavam tantos enfeites, nem todos usavam fazer lautas ceias. Habitualmente os presentes se resumiam às pessoas da família. Eram raras as árvores de Natal. Havia, sim, as Missas do Galo, sempre muito concorridas. O Natal era mais religioso. Com o andar do tempo, com o advento da televisão, tornou-se mais comercial, mais mundano, porém mais alegre e mais bonito. Perdeu um pouco do seu sentido religioso, mas ganhou em pompa e beleza. Como ficam lindas as cidades cheias de luzes! Cada pessoa quer caprichar mais na sua decoração! E há até prêmios para os prédios mais bem ornamentados! Todo mundo quer fazer uma linda árvore em seu ambiente, e oferecer a ceia mais sofisticada e saborosa, onde não podem faltar o peru, o tender, as rabanadas, os clássicos bolos de frutas e a torta de nozes. (*) É escritora.

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