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quarta-feira, 27/08/2025 | Ano | Nº 6040
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Templo literário

Academia Alagoana de Letras, exemplo de farol, motivo de cobiça

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Tornou-se realidade em Maceió aquilo que outrora parecia cena de ficção ou relato distante: furtos realizados em plena luz do sol ou sob o reflexo da lua, nos estabelecimentos que compõem o coração da cidade, pois o Centro, espaço de memória, comércio e encontros, tem sido alvo constante de delinquentes que, com ousadia crescente, agem como se dominassem cada detalhe do ambiente em que atuam.

Na tarde silenciosa de recente quarta-feira, a Casa Jorge de Lima, templo maior da literatura Caeté, foi alvo de abominável episódio de violência contra seu patrimônio, vez que sua sede na Praça Sinimbu, foi invadida por meliante cujos passos foram todos registrados por circuito fechado, composto por dezenas de câmeras: cirúrgicos movimentos rastejantes, para driblar os sensores de alarme, a escolha certeira do único ponto cego do pátio e, com destreza calculada, o desligamento do quadro de conexão com a empresa de segurança.

Em seguida, de forma visivelmente estudada e sincronizada, o bandido retirou, além de suas luminárias, toda a fiação condutora da energia elétrica do prédio para, ao término da ação, deixar o local com a calma de quem sai ileso, como se inocente fosse.

Duas semanas se passaram após a queixa ser devidamente registrada em delegacia, mas não cabe à Academia Alagoana de Letras transformar em lamento contínuo aquilo que poderia enfraquecer seu brilho. Pelo contrário, a casa das casas da cultura alagoana segue firme, imbatível, indestrutível, fazendo por merecer aplausos mundo afora.

A energia que agora ilumina suas paredes não vem apenas dos fios já repostos, com mais intensidade e qualidade, mas da grandeza de seus imortais, da produção intelectual que resiste, do amor que os apreciadores da cultura nutrem por esse espaço, onde espíritos e vozes de grandes criaturas do passado, não somente ecoam como jamais se ofuscam ou adormecem.

A Academia Alagoana de Letras não se abala, ao contrário, continua exemplo, farol, norte e, inevitavelmente, motivo de cobiça, de tal forma que, mais forte a cada dia, renova-se no propósito de servir à cultura, lembrando que nenhum ato de vandalismo será maior que a luz da palavra escrita. No fim, tudo vai dar certo, porque as raízes da Casa Jorge de Lima são mais profundas do que qualquer tentativa de escuridão.

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