Editorial
Queda efetiva

O resultado do IPCA-15 de agosto trouxe uma boa notícia rara em tempos de instabilidade: uma deflação de 0,14%. Não se trata apenas de uma desaceleração da inflação, mas de uma queda efetiva nos preços.
Habitação, alimentação, comunicação e transportes registraram recuos, com destaque para a energia elétrica, favorecida pelo Bônus de Itaipu, e para os alimentos consumidos em casa, que caíram em média 1%. No dia a dia das famílias, esse movimento faz diferença concreta: menos peso nas contas de luz e mais alívio nas compras de supermercado.
Ainda há sinais de resistência inflacionária, sobretudo na alimentação fora de casa, que segue em alta, mas a redução de preços em itens essenciais aponta para uma melhora significativa no custo de vida, especialmente para as camadas mais vulneráveis da população. Com a inflação acumulada em 12 meses recuando para 4,95% e as projeções do mercado em queda há semanas, abre-se espaço para discutir uma futura redução da taxa básica de juros.
O caminho até a meta de 3% ainda é longo, mas a trajetória atual merece ser celebrada. Uma inflação menor devolve poder de compra às famílias, dá fôlego ao consumo e sinaliza a possibilidade de um ciclo de crescimento mais equilibrado.