Editorial
Ação emblemática

A megaoperação Carbono Oculto, deflagrada ontem, representa um marco na atuação do Estado contra o crime organizado no Brasil. O alvo foi um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis, controlado pelo PCC, que movimentava bilhões de reais em evasão fiscal, adulteração de combustíveis e operações financeiras sofisticadas.
O que torna essa ação emblemática não é apenas sua dimensão, com mais de 1.400 agentes em oito estados, mas sobretudo a integração inédita entre órgãos de segurança e de controle. Polícias estaduais, Polícia Federal, Receita Federal e o Ministério da Justiça atuaram em conjunto, cruzando informações e atacando o fluxo financeiro que sustenta atividades ilícitas.
Essa articulação mostra que, diante de facções que migram da ilegalidade para a legalidade, infiltrando-se em setores econômicos, o combate precisa ir além da repressão policial. É indispensável aliar inteligência, fiscalização tributária e mecanismos de rastreamento financeiro.
O Estado brasileiro, ao atingir o “andar de cima” do crime, dá um passo importante para enfraquecer as engrenagens econômicas das facções criminosas. É preciso manter a integração entre os órgãos e aprimorar os instrumentos legais e institucionais para transformar essa vitória em uma estratégia permanente.