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Opinião

Um entardecer em Barcelona

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Chegamos a Barcelona, vindos de um cruzeiro pelo Mediterrâneo europeu, domingo de manhã, sol de verão. Entre o cais do porto e hotel, a guia turística nos dizia da nossa sorte, em estar chegando àquela cidade, naquele dia, pois que, só aos domingos, funcionava um dos maiores espetáculos ao ar livre de Barcelona, quiçá de toda a Europa: as fontes mágica de Montjuic. Dando curso à nossa curiosidade, programamos comparecer às 19 horas à ?praça Espanya?, em cujo entorno se situavam as famosas fontes luminosas. Nosso interesse também, era,antes, conhecer alguma igreja católica e, ser possível, assistir à missa dominical. Tivemos sorte. Um grupo formado por Selma Brito, Maria Rocha, minha mulher Marisa e eu, tomou um táxi na direção de Montijuic e, com o mapa da cidade à mão, localizamos uma Igreja cujo padroeiro era Santo Anjo, onde participamos da missa das 16 horas. Foi a primeira grande surpresa. O silêncio acolhedor do templo nos induzia à uma reflexão profunda sobre a fé cristã e nos convidava a aceitar o ministério de Cristo através os 2.000 anos de sua existência. Nada de cânticos vibrantes onde, mais das vezes, os corais não conseguem transmitir a doçura e a paz tão necessárias ao nosso espírito para um reflexão profunda. Ali o silêncio falava alto da nossa cumplicidade com a religião católica. Terminada a missa tomamos um ônibus e a 3 quadras dali o motorista nos avisou que já era Praça Espanya. O crepúsculo do anoitecer nos envolvia a todos e nos dirigimos ao vasto sítio aberto, onde uma multidão aguardava ansiosa os momentos mágicos da exibição. Pontualmente às 19 horas os primeiros jatos lancetavam o espaço envolvidos pela genialidade dos acordes de Beethoven, depois, outros, e mais outros, não de uma só fonte, mas de dezenas delas, sincronizadas harmoniosamente com o esplendor magistral de músicas eruditas. E num crescendo deliciosamente harmonioso por mais de trinta minutos, nos transportamos para esferas transcendentais absolutamente fora das nossas 3 dimensões. Ao se aproximar o clímax daquele espetáculo uma imensa fonte central nos trouxe a emoção maior quando, em meio ao silêncio de um público de 20.000 pessoas, surgiram, os acordes de Verdi, com o Coro dos Condenados, da ópera Nabuco. Por certo uma deliciosa emoção num fim de tarde em Barcelona. (*) É engenheiro civil.

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