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Soberania e fundo

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Uma senhora de 68 anos, ao confirmar sua viagem ao Brasil, reduziu a temperatura na agitada Bolsa de Valores de São Paulo e mexeu com o risco-Brasil, calculado em Nova Iorque. Anne Krueger, oficialmente a número dois do FMI, aporta em São Paulo para participar no dia 24 de julho de um evento dedicado a economistas. Depois, conversa com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e com o presidente da República. Representante dos Estados Unidos na direção do Fundo Monetário Internacional, essa rigorosa dama da economia mundial vem ao Brasil como senhora. É a dona da casa. Daí, o alívio dos credores. A Bolsa subiu, o dólar e o risco-Brasil caíram. A queda foi de pouca monta, mas para quem vive pelas tabelas, foi considerado um fato alvissareiro e comemorado, ainda com certo temor. Teme-se que, nos bastidores, o quase findo governo FHC ofereça à dama do FMI algum regalo cuja conta será debitada ao povo brasileiro para cobrança no próximo governo. O que se teme é um acordo diferente, ainda mais limitador do que os atuais aos quais o Brasil tem se amarrado. O temor tem nome: ?Acordo de Blindagem?. As diretrizes e blindagens do FMI foram aplicadas à Argentina, sem contraproposta dos governos vizinhos e findou no que se sabe. Na verdade, é equivocado criticar o FMI isoladamente, pois a parcela maior da culpa deve ser creditada aos governos servis, incapazes de propor alternativas e projetos de desenvolvimento compatíveis com as possibilidades do País e com a realidade da economia globalizada. Países do chamado Terceiro Mundo, como a África do Sul (durante a gestão de Mandela) souberam criar condições para negociações internacionais que não mutilaram tanto a autonomia nacional. Seja bem-vinda mais essa liderança do FMI. O governo brasileiro precisa recebê-la sem se acachapar e trata-la de sinhá. O respeito se conquista com propostas, com esforço para defender as próprias idéias. Se isso não foi feito nos oito anos passados, não se deveria comprometer o futuro. O Brasil precisa encontrar novos caminhos. Sem subserviência.

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