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Opinião

A um gigante

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Pensei escrever, aqui, notas tristes pelo passamento do dr. Ib Gato Falcão. Logo isso me pareceu inadequado, tendo sido ele pessoa vivaz, criativa, intelectualmente inquieta, amante apaixonado de tudo o que fazia, um desacomodado e, melhor, desacomodador. Escreveu José Maurício Breda que a junção de gato com falcão dera ao sogro essa personalidade fascinante, como em eterna luta interior pela realização. À parte a referência elegantemente romântica do seu genro, explicação para personalidade tão plúrima talvez esteja na busca pela grandeza humana, pondo-se a serviço do povo, mesmo sem dele esperar ovações. Certamente o dr. Ib abominaria a tristeza. Pensei, então, dizer do homem que conheci quando, ainda estudante adolescente, ouvia eu suas palestras sobre variados assuntos e temas, orador fluente e de inspirada eloqüência. Seus discursos nos hasteamentos do pavilhão nacional nas manhãs do Colégio Guido de Fontgalland, quando nos inspirava o sentimento de patriotismo. Esses momentos fizeram-me vê-lo como um professor, um mestre. Pensei, ainda, comentar sobre as inúmeras obras por ele realizadas em Alagoas, de empreendimentos dos quais participou, registros físicos de sua passagem por esta vida. Tais fatos, porém, já foram ? e ainda serão ? mencionados, referidos, estudados por pessoas mais bem informadas a respeito, como Milton Hênio, Diógenes Tenório Júnior e tantos outros que já disseram, e ainda dirão com propriedade o que ele representou na vida política e intelectual do Estado. Pensei, também, referir ocasionais conversas que tivemos na Academia Alagoana de Letras ? jóia dos seus últimos cuidados ? quando dele ouvi histórias bem-humoradas. Em uma dessas oportunidades, indagando-me se estaria eu compondo outro romance, respondi-lhe que elaborava histórias sobre doidos folclóricos de Alagoas, Catrevage, Major Fusco, ?seu? Fortes, Garapa e outros personagens que fizeram, às suas épocas, alegria de crianças, adolescentes e adultos. Divertido, demorou-se ele a narrar-me a loucura de uma certa Odília ?Cascavel?, maluquinha de amor por um governador de Alagoas no início do século passado. Incorporei-a ao romance, ainda inédito. Essas coisas e fatos passaram-me pela cabeça e entendi, finalmente, que tudo a se dizer sobre o dr. Ib Gato já fora dito há séculos por Confúcio, em um dos seus analectos: ?Um cavalheiro preocupa-se em não desaparecer deste mundo sem ter construído um nome para si?. (*) É advogado militante ([email protected]).

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