Opinião
Os direitos humanos e o senador da anistia
Neste ano de 2008, a Fundação Teotônio Vilela pode se contextualizar em dois marcos importantes na luta pela democracia; os 60 anos da declaração universal dos direitos humanos, dia dez deste mês, e os 25 anos de saudade do Menestrel das Alagoas, em 27 de novembro passado, pontuando a sua peregrinação persistente e corajosa pela democracia ampla no Brasil e no mundo. É impossível falar em direitos humanos, sem lembrar Teotônio, ou vice-versa. Mais do que a ideologia pela liberdade plena, Teotônio Vilela tinha como causa a cidadania e, entre os artigos que consolidam a declaração dos Direitos Humanos em todo o mundo, o de número 25, que diz que, ?toda pessoa tem direito a possuir, para ela e a sua família, o que seja necessário para não ficar doente e para se curar se estiver doente; para não ter fome; para não ter frio, e para ter alojamento digno?, traduz o sentido exato da humanização perseguida pelo nosso menestrel. Ao abrir as portas dos cárceres em busca de filhos de pais cidadãos, o senador Teotônio Vilela não buscava tão somente libertar presos políticos, jovens revoltados com o regime hediondo de poder do governo militar, mas, sobretudo, e principalmente, fazer valer para todos os brasileiros a política dos direitos humanos que já se tornara universal, proclamada pela Organização das Nações Unidas e que, até então, era desconsiderada pelo regime de força e de escuridão política em nosso País. Os direitos humanos defendidos por Teotônio estão bem nítidos, na guerra pacífica pela anistia política e por eleições livres através do voto de todo brasileiro com idade legal para ser eleitor. Nos palanques da democracia, Teotônio mobilizou democratas de todo o Brasil, no conjunto de intelectuais, artistas, políticos, jovens, aposentados, donas de casa; brasileiros, enfim, buscando, de forma coletiva, nos impregnar com sua coragem cívica e sua sabedoria cidadã. ?Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos?, diz o primeiro artigo da declaração dos direitos humanos. ?Temos, todos nós, por ação ou omissão, estímulo ou incompreensão, responsabilidade dos fatos da história?, diz Teotônio, em uma de suas falas sobre o papel que nos cabe na construção da cidadania, nos fazendo ver que, o palanque da cidadania, indistintamente de Nações, tem o mesmo pensamento, o mesmo objetivo e a mesma língua em torno da felicidade de todos nós. (*) É superintendente da Fundação Teotônio Vilela.