Opinião
Ano novo, novas regras
Desde ontem vigoram as novas regras para se escrever corretamente na língua portuguesa. Apesar das incontáveis matérias veiculadas pela mídia sobre esse tema, a maioria da população brasileira simplesmente desconhece tal fato. E as interrogações devem se multiplicar a partir de hoje. Embora tenha o objetivo de alcançar todos os falantes do português (espalhados por quatro continentes) o acordo sobre a nova ortografia está oficialmente assinado por Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Portugal. Os governos de Timor Leste, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola reafirmam o interesse em aderir, mas, até agora, não assinaram o documento. Em Portugal, por sua vez, aparecem vozes discordantes dos termos acordados, e esses dissidentes ortográficos denunciam as novas regras como parciais, por considerá-las ?uma capitulação aos interesses brasileiros?. Como se não tivesse nada a ver com o caso (reafirmando um lamentável desprezo pela própria língua pátria), a opinião pública brasileira não emite sinais de preocupação, nem de atenção, ao tema. Uma pena, pois o português é uma das mais praticadas linguagens no mundo contemporâneo. Os falantes do idioma lusófono ocupam a sétima posição na lista dos dez mais, superados pelo falar do chinês, hindi, inglês, espanhol, bengali e árabe. O português supera, em termos de populações praticantes, o russo, japonês e alemão. Uma língua de respeito, sem dúvida. Talvez quem duvide sejamos nós mesmos, os brasileiros. Atrasados ou não, teremos que cuidar para o nosso falar e escrever ser feito de acordo com as novas regras. Tranquilidade (o trema caiu nessa nova reforma) e pressa não nos devem faltar, ao mesmo tempo, para nos debruçar sobre o estudo das novas regras e iniciar, sem mais delongas, a praticá-las. Não se esqueçam: a nova ortografia é norma, no Brasil, desde ontem.