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Opinião

Eles sabiam o que queriam

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Eram os magos estudiosos dos fenômenos astrológicos. Eram astrólogos, não astrônomos. Desejavam ver, nas posições dos astros, o futuro dos seres humanos. Sabiam eles, pelos estudos dos livros sagrados, que um astro novo ou de brilho diverso, que surgisse nos espaços cerúleos, poderia estar anunciando a vinda do Messias, o verdadeiro rei dos judeus. Assim aconteceu: viram eles, no firmamento, um fenômeno luminoso e, de logo, pensaram ser ele uma revelação do Messias esperado. Inquietam-se. Desejam tomar decisiva atitude de encontrar o que desejavam. A inquietude é um elemento típico do coração humano que, ainda hoje, se torna uma característica específica da cultura moderna e contemporânea. A verdadeira riqueza humana de quem procura é a afirmação de um mistério infinitamente maior que sustenta e move o coração inquieto até que encontre o repouso na posse do objeto procurado. Os magos, na sua inquietude, encetavam longa caminhada à procura do Messias anunciado pela nova luz, no firmamento. De certa maneira, sabiam o que queriam: encontrar o Messias. Um fenômeno luminoso os acompanhava. Alcançaram Jerusalém, onde se encontrava a sabedoria dos rabinos e dos doutores da lei. Sua pergunta, causou transtorno em toda cidade grande ? Onde nasceu o Messias, o rei dos judeus? Multiplicavam-se as consultas. A conclusão não poderia ser outra ? Em Belém de Judá, como está escrito nos profetas: E tu, Belém, pequenina cidade. É de ti que sairá o Salvador. Felizes, continuaram os magos sua viagem até o encontro com o Messias procurado. Diante do Menino-Deus, nos braços de Maria, sob o amparo de José, ofereceram-lhe o ouro da realeza, a mirra da humanidade e o incenso da divindade. Sua inquietude tem agora o nome de paz. Tudo é certeza. Os caminhos por onde vieram não eram mais os caminhos de volta. Quem encontra o verdadeiro Deus não mais retorna pelos caminhos de Herodes. A Herodes o orgulho, a vaidade; aos magos a alegria do encontro com o Messias prometido. A nós a certeza de que, quando encontrarmos o caminho do Messias, jamais retornaremos pelos caminhos da injustiça e da violência. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e presidente da Academia Alagoana de Letras.

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