Opinião
Marolas persistentes
Com preocupante insistência, as marolas da crise mundial seguem castigando nossas praias e atracadouros, e como diz a filosofia popular, ?água mole em pedra dura, tanto bate até que fura?. E os furos começam a aparecer em pilares até então tidos firmes como pedra. No Sudeste, por onde se espalha o epicentro industrial e financeiro do Brasil, algumas grandes empresas seguem seu caminho de redução das vagas de trabalho. Há dois dias, a Volkswagen anunciou a implantação, em suas instalações fabris, de um famigerado PDV (Plano de Demissões Voluntárias, coisa bastante conhecida em Alagoas). No mesmo dia, como cantando em coro, a siderúrgica Arcelor Mittal (que se apresenta como sendo ?uma das principais siderúrgicas da América Latina?) também apelou para o sentimento pedevista. Essa ação demissionária se desdobra em Minas Gerais, no município de Sete Lagoas, considerado o centro da região do ?Vale do Aço?, área também conhecida como o ?Quadrilátero Ferrífero?. Segundo os números apurados nessa região, ferraram-se (como diz a filosofia popular) 6,7 mil pessoas, despojadas de seus empregos (desde novembro do ano passado). Por outro lado, ponderando sobre os números colhidos em todo Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informa que ?o emprego cedeu 0,6% nos meses de outubro e novembro de 2008?, segundo esse estudo, tal resultado é ?o pior desempenho [neste período do ano] desde 2003?, embora no acumulado de janeiro a novembro do ano passado, a oferta em emprego registre uma alta de 2,4%. Tudo indica que a maré negativa esteja crescendo, alimentada por marolas persistentes. E não poderia deixar de ser diferente, pois o Brasil não pode ficar imune às intempéries; assim, o único remédio é, efetivamente, o País se preparar para as inevitáveis conseqüências da crise global.