Opinião
A tem�vel KGB (2)
Algumas vezes estive na Rússia. Em São Petersburgo, antiga Leningrado, na parte européia do país. De outra vez, em Moscou e em Stalingrado, no Cáucaso. Leningrado e Stalingrado, são cidades diferentes, distantes uma da outra mais de mil km. Ano passado, novamente em Moscou, de passagem para a Sibéria, a chamada Rússia asiática, estive a dois passos do quartel general da famosa KGB na praça Lubianka no centro de Moscou. Dei uma volta completa no quarteirão fotografando seu perfil e suas inúmeras janelas quase sempre fechadas. Somente o imenso e pesado portão dos fundos encontrava-se entreaberto. Passei curiosamente olhando para o seu interior chegando cada vez mais próximo. Ouvi passos, recuei. Um agente saiu, atravessou a rua e ingressou em outro edifício tão soturno e misterioso quanto a KGB. Comecei a me perguntar o que estava fazendo ali. E se fosse flagrado bisbilhotando o Comitê de Segurança do Estado? Certamente seria detido sem saber nem mesmo uma palavra de russo. Segui para o hotel Moscow, onde estava hospedado, imaginando lances dos mais celebres espiões da história. Richard Sorge, conhecido como um dos três maiores. Jornalista se aproximou do embaixador da Alemanha no Japão, tornando-se seu confidente, colhendo importantíssimos segredos de guerra, ultrasecretos, e os passou a KGB: ?O Japão não mais atacaria a Rússia?. Stalin então transferiu várias divisões dos seus exércitos para defender Moscou da Wehrmacht e da SS do General Von Paulus homem de confiança de Hitler. Estas informações mudaram o curso da história. Harold Kim, britânico, inteligentíssimo, quase foi nomeado chefe supremo do serviço secreto inglês. No decorrer da história foi acusado de ter feito jogo triplo. Obviamente espionou para a Inglaterra, ajudou os serviços de inteligência americanos CIA e FBI, e na verdade sempre trabalhou para a KGB russa, para onde fugiu espetacularmente! O maior dos espiões, Rudolf Ivanovich, russo, também conhecido como Martin Collins, Emil Goldus, Andrew Kayotis, com muitos nomes e mil disfarces, viveu e trabalhou durante dez anos em New York. Comunicava-se com outros agentes nas praças, esquinas, pontes, metrô e no subterrâneo da cidade. Cometeu um pequeno erro. Quebrou uma regra de ouro dos serviços de inteligência. Levou um dos seus agentes a conhecer onde morava. Tempos depois foi traído pelo subalterno que o entregou ao FBI. Descobriu-se então que o homem era o poderoso Coronel Abel da KGB. Na verdade seu verdadeiro nome jamais foi conhecido. (*) É ex-deputado, ex-senador, ex-governador de Roraima.